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Sobre o Amor…

Por Pensamentos Imperfeitos Publicado em 13 de junho de 2023 3 min de leitura


 Eu ia fazer um post ostentando o amor monogâmico que bradei aos quatro ventos não existir. Ia mostrar para as pessoas o cara que você sempre está sendo quando aponto a câmera na sua direção e vejo os arredores da nossa história. 

Ah, meu amigo mais amado, rolar os dedos em nossas lembranças foi o ponto mais delicioso desta manhã fria. Mas a verdade é que isso seria quase um crime para mim, pois estaria reduzindo o amor ao aspecto fácil do amar. 

Amar o belo, os dias à beira-mar, as viagens, as brisas e respiros fáceis, as celebrações, e resumir a isto a vida não me pareceria algo honesto a se fazer. Os dias bons são inesquecíveis, certamente, mas a solidez, a parceria sobre-humana, essa, definitivamente construímos nos dias difíceis. Em que falta esperança e sobram temores e nos apequenamos em cantos. Onde os fluídos humanos nem sempre são doces e agradáveis aromas. Nas doenças e perebas e revezes. Nos dias em que perdemos ou em que somos feios e mostramos o encardido agarrado por dentro de cada um de nós. 

Nestes dias difíceis é que julgo conhecermos o amor. E mesmo a falta dele. E isso pode-se encontrar em qualquer relação que se estabeleça fora da vaidade e das regras normativas. É justo as pessoas saberem do que se trata o amor. O idealismo que se dane! E é nesta tentativa de encontra-lo, que o amor romântico cai por terra, de um jeito cru, imutável. Na casa de qualquer um. Muitos fogem horrorizados. A maioria. 

Todo mundo quer um colo em que se deitar. E quantos estenderão os braços para que você repouse? Entendi que é preciso que nos resgatemos neste lugar em nós onde nossas sombras se escondem. Isto é tarefa das mais difíceis. Mas depois de jogar luz, você socorre a ti mesmo. Se cuida, espera sarar os ferimentos causados pelo isolamento neste lugar onde estiveste só por tanto tempo e onde nem sequer cabias de pé. Depois de então curadas as feridas, elas não desaparecerão. Mas você poderá então se amar sem medo delas. E estará pronto para amar outro. 

Por isso agora, assim, bem à minha maneira, um pouco depois do dia dos namorados, venho celebrar o amor em todas as suas formas. Não façam o amor parecer uma etapa do estar desesperado procurando alguém com quem dividir a solidão. 

Amar é receber o outro, aceita-lo, empurra-lo para a frente, ser generoso com seus defeitos, com a gravidade que lhe empurra para baixo tanto quanto a qualquer outro. 

Amar é ver o tempo passar e só desejar que o melhor caminho se desenrole no tapete em que percorrem os pés das pessoas que amamos. 

Portanto desejo a todos um amor, como o amor das pessoas neste vídeo que já puderam compreender isto, e que depois de muitas gerações, podem se amar assim, com o corpo livre, as culpas à parte, expectativas zeradas e disposição ao cuidado! 

Um viva aos amores! Ao melhor aspecto de viver, que é compartilhar com outros a insanidade de ter vindo parar aqui neste saquinho de órgãos com tudo que cabe dentro deste enorme organismo vivo que é o universo inteirinho, agarrados a um fiapo soberano que nos mantém em movimento constante até que paremos! 

Seguimos, rodopiando e dançando, mãos dadas e corações à uma batida. A herança hereditária do amor vai salvar todas as próximas gerações. Espalhem.

Por Railane Borges 

Sobre este texto

Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.

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Escritor e cronista

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