Sobre (IN)Segurança Publica
As tragédias se sucedem. Ficamos cobertos de revolta ao acompanhar as falhas de tantos agentes da lei. Tiros e mais tiros. Atirar antes e perguntar depois, muitas vezes para cadáveres. É o que estampam as manchetes de um sem número de jornais no Brasil inteiro.
Mas o que dizer de um sistema de segurança, que insiste em manter os pés fincados no século XIX, enquanto o mais medíocre dos criminosos acompanha a evolução dos tempos? Falta objetividade em todo e qualquer procedimento. As investigações se prolongam por tempos sem fim, com índices de elucidação extremamente baixos.
Tudo o que é moderno, em termos de segurança pública, parece encontrar obstáculos quase intransponíveis para entrar neste país. Na contramão de tudo o que é eficiente, os governantes adoram investir em viaturas. Logística e comunicação ficam em segundo ou terceiro plano. A capacidade de antever os passos do crime é algo ainda incipiente, fazendo com que os esforços sejam envidados na tradicional postura meramente reativa, das polícias. Atuam, depois que o crime já ocorreu.
Voltando aos toscos procedimentos de alguns agentes da lei, o que podemos dizer de um indivíduo que é admitido nas forças policiais, passa a frequentar um curso de formação, de eficiência muitas vezes questionável, que jamais dará condições, sejam físicas ou psicológicas, desse indivíduo lidar com o poderoso crime, seja organizado ou não?
Já pararam para questionar seus gestores de segurança, por que os policiais de unidades não especiais, aqueles que estão perto de nós no cotidiano, treinam tão pouco? Ou por que o acompanhamento psicológico, capaz de detectar instintos nocivos, é pouco ou até mesmo inexistente?
Que Polícia vocês querem para vocês? Ou melhor. Vocês tem alguma ideia de como as Polícias funcionam de verdade? Se conhecem isso, estão satisfeitos? Se não estão, cobram de alguém, de forma séria e organizada? Acho que não. A maioria só irá se manifestar de verdade quando sentir na própria pele os efeitos de gestões criminosas da segurança pública brasileira em todos os níveis.
Enquanto os policiais militares estiverem adentrando as comunidades e tirando de circulação os “monstros”, que atuam como soldados do tráfico, muitos de nós estarão dizendo, mesmo que em pensamento: “Bandido bom é bandido morto.” Muito triste isso.
O conceito de polícia no Brasil, foi concebido para satisfazer uma parcela pequena. Sociedade é uma palavra vaga e sem objetividade para boa parte dos gestores, que, encastelados em seus bunkers, provavelmente jamais irão sofrer as dores de um mundo sem lei, onde policiais e bandidos, antagonistas por natureza, são grandes vítimas de um sistema concebido há décadas, para dar errado.
Sobre este texto
Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.
3 comentários
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De uma amplitude sem tamanhos, concordo com tudo, infelizmente nossa população só que saber de pão e circo. Os heróis sao ganhadores de PROGRAMAS DE TV, quando demonstramos aversão a determinados comportamentos, nos chamam de muitos nomes, mas só quem vive na pele, quem veste a farda, porta a arma do lado da Lei é que sabe da gravidade do problema. Continuamos a sonhar e correr atrás do sonho, para fazer nossa parte, mesmo que o resultado venha décadas depois. FORÇA E HONRA
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Ótimo post Sandro
É realmente uma vergonha nosso sistema de segurança pública.. irei fazer o que posso para ajudar em alguma melhora. Nem que seja pouca coisa.
Abs
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