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RENEGADO: Odiado por não ser Bolso

Por Pensamentos Imperfeitos Publicado em 28 de março de 2019 Atualizado em 18 de agosto de 2026 6 min de leitura
De todas as fases que vivi na Polícia Federal, a que me tornou o
mais renegado agente do Brasil foi a campanha eleitoral de 2018. Uma
verdadeira aberração de coisas sem nexo aconteceram entre o início
do ano e o mês de outubro, no qual ocorreram as eleições. Muita
gente se espanta por eu ter tido apenas 5 mil e poucos votos. Eu não.
Os
ditos colegas deixaram de me ter como referência boa em pouco tempo,
apesar da minha atitude desafiadora em relação a tudo o que sempre
oprimiu a classe dos EPAs (Escrivães, Papiloscopistas e Agentes).
Nunca na história do Departamento de Polícia Federal, um agente
combateu de frente os desmandos da Associação de Delegados de
Polícia Federal, como eu fiz. Chegou ao ponto da referida associação
enviar documento para a Câmara Municipal de Niterói, mandando que
os vereadores abrissem processo por quebra de decoro parlamentar com
consequente cassação de mandato. A razão? Uma crítica pública
que fiz à delegada Érika Marena, que conduziu a operação que
prendeu o reitor da UFSC, que em seguida pôs fim à própria vida.
Não
satisfeitos em querer mandar no DPF, os doutos senhores da ADPF
ousaram se meter no Poder Legislativo de Niterói. Mas enfim,,,Foram
vídeos, colunas para jornais e internet, discursos na tribuna da
Câmara, falando sobre as necessidades gritantes para que a segurança
pública avance de forma equilibrada no país. Nada ensaiado. Eu
estava sendo simplesmente eu mesmo, uma vez que defendo há anos, uma
reforma contundente na organização das polícias e em todas as
instituições que compõem o mosaico da segurança pública.
Nunca
tive nada pessoal contra delegado algum. Mas parece que vários deles
me elegeram como inimigo. Consigo compreender. E eles têm até
alguma razão. No universo que eu defendia, de policiais dedicados a
fazer o melhor para a sociedade, há um exército de encostados,
escondidos, boas-vidas que nunca quiseram nada com trabalho. Dói ler
isso, não é colega? Mas você ousa refutar? Acho difícil. Mas
saibam, mesmo ciente desses gaiatos da polícia, levantei a bandeira
da categoria como um todo.
Como
sou o único do RJ que tenho mandato eletivo, fui escolhido para ser
candidato a deputado federal no estado. Em tese, eu deveria ser o
único, mas não demorou para que o fenômeno de bilheteria “Loiraça
da Federal” surgisse para que vários colegas não se vissem
obrigados a votar no Sandro. Acho mesmo que faltou análise dos
gestores da Frente Parlamentar da Federação dos Policiais Federais,
porque se a categoria estava rachada, eu sairia da disputa sem
problemas. Minha vaidade quanto a isso era zero e todos ali sabiam
disso.
Acredito
que minha desgraça começou quando tirei uma foto no aeroporto
Santos Dumont ao lado do então deputado estadual Marcelo Freixo.
Somos amigos há 26 anos. Demos aulas nas mesmas escolas. Nossos
filhos cresceram juntos em uma parte das suas vidas. Frequentávamos
as casas um do outro. Enfim. Amigos. Se os policiais o odeiam por
conta da CPI das Milícias ou sei lá por que mais, não é problema
meu. Se os caras que tanto criticaram a foto tivessem o mínimo de
vontade de saber o que acho da postura política de Marcelo, bastava
ir na minha Linha do Tempo do Facebook. Em muitas ocasiões eu o
critiquei de forma contundente. Entretanto, como passo longe do
perfil de RETARDADO, não misturo uma amizade de décadas, com
divergências políticas. Sendo assim, continuamos amigos.
Um
delegado senil usou a foto, que saiu nos jornais, para tentar me
desmoralizar. Deve ter conseguido junto a alguns. Mas, sinceramente,
foi um atestado de senilidade. Outros indivíduos do Departamento
reclamaram comigo, porque tirei uma foto com Marcelo Freixo e não
quis posar ao lado de Eduardo Bolsonaro. Não posei e não posarei
jamais. Marcelo, quando começou a se meter com política já era meu
amigo. O escrivão Bolsonaro não. E com a postura de ideias que
possui, a chance de sermos amigos é de -220%. Mas ele deve ter seus
encantos. Uma parte considerável da Polícia o venera, apesar de sua
inteligência e capacidade de se comunicar de forma satisfatória
estarem anos luz atrás de Marcelo. Inteligências incomparáveis, de
fato. Hoje parece claro que o DPF era apenas mais um marketing
pessoal do jovem príncipe. Na dita “Reforma” necessária, a
Família Real atropelou os policiais do Brasil inteiro. E ainda
assim, muitos ainda estão com a língua de fora para lamber as botas
dos quatro.
Depois
do evento da foto, foram ataques e mais ataques. Colegas policiais
fizeram DOSSIÊS sobre minha vida pessoal, nos quais mencionavam
fatos sobre meus filhos e minha esposa. Coisa de gente sem escrúpulos
e de 5a categoria. Espalharam fatos nos grupos de Whatsapp
e de Facebook. Fizeram campanha para delegados de polícia. Alguns
chegaram ao cúmulo de representar contra mim por eu passar por eles
e não cumprimentar. “Falta de Urbanidade”. Vão se ferrar!!! Não
vou cumprimentar mesmo não!!! Gente que se esforçou e gastou tempo
para me derrubar e desconstruir minha imagem. Caras velhos com a barba
branca. Que se danem!!! Seus eleitos estão literalmente cagando nas
suas cabeças.
Quando
Marielle morreu aqui no Rio, eu dei entrevista para um jornal dizendo
que “Policiais da banda podre mataram a vereadora”. Sabem o que
aconteceu? Fui massacrado pelos meus “colegas”. Chamaram-me de
babaca, otário, maluco, viado (como se isso fizesse sentido e me
envergonhasse se eu fosse) e muitos outros impropérios. Fomentaram o
ódio nas outras polícias. Tornaram-me um indivíduo mal visto pelos
tiras. E agora, um ano depois, o que a própria Polícia descobre? O
envolvimento de POLICIAIS.
Olha…eu
estou bem de saco cheio disso tudo. Desses falsos colegas. De toda a
mitologia inventada sobre ser policial federal. Existem sim, aqueles
que são distintos. Mas uma massa não quer e nunca quis nada com o
trabalho. E nesse ponto a ADPF, a AFDP, a APQP estão todas certas.
Quem sacaneia um EPA de forma extrema, via de regra é OUTRO EPA.
Quem trai, quem passa para trás, quem passa informações aos
“chefinhos”, são aqueles que querem ser chamados de colegas.
Você,
que lê este blog…E tem vários caras legais, que leem…Repensem
seus sonhos…Agora vai ficar ainda pior, depois da passagem da
Família real pelo planalto. O DPF não é uma casa bacana. Não
mesmo. E saibam. Não é culpa de uma categoria ou da estrutura
organizacional. Não mesmo. São pessoas. Pode ser de qualquer cargo.
Sempre há espaço para infernizar a vida de alguém neste
Departamento.
Sinceramente…só
lamento

Sobre este texto

Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.

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