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POLÍCIA…Reflexões sinceras……………

Por Pensamentos Imperfeitos Publicado em 21 de fevereiro de 2012 Atualizado em 18 de agosto de 2026 4 min de leitura
Amigos, compartilho com vocês um belo texto do meu amigo Ricardo Balestreri, que tive a oportunidade de conhecer quando o mesmo era Secretário Nacional de Segurança Pública. Um homem generoso, para dividir sua inteligência conosco
Caros amigos, reproduzo, abaixo, algumas reflexões despretensiosas que fiz como resposta à pergunta de uma amiga policial que gostaria de saber como vejo o tratamento dado pela mídia e pelas autoridades à greve da polícia baiana:
A mídia deu aos policiais baianos o mesmo tipo de tratamento que, de forma geral, tem dado a todas as coisas: superficial, rasteiro, cheio de clichês, meias verdades( e meias mentiras), lugares comuns, obviedades, demagogias. A mídia brasileira, com raras exceções, continua sendo a mesma farsa lacerdista/falso-moralista de sempre (acobertando a censura real e os interesses onipresentes do grande capital e dos senhores feudais dos grandes meios familiares e políticos de comunicações).
Tratou os profissionais de segurança pública da Bahia de forma a apresentá-los à opinião pública- velada ou subliminarmente- como membros ou como coniventes com organizações criminosas, grupos de extermínio, matadores e baderneiros. Não se preocupou em destacar o fato de que bandidos infiltrados em organizações de poder – como a polícia- agem o tempo todo, independentemente de greves, e devem ser punidos independentemente de greves. Confundiu e mistificou, como sempre faz, em nome de “causas nobres” inquestionáveis, como o respeito à ordem pública e à democracia. Mais assustador é o fato de que o estado brasileiro, oportunística e temerosamente, lhe tenha seguido os passos.
Ou seja, há muito não se via o estado ( e não estou me referindo ao estado da Bahia especificamente, o que seria um reducionismo) sendo pautado tão fortemente não pelos fatos e pela necessidade de políticas públicas mas pelas banalidades aterrorizadas e generalizações da política do medo. Não se aproveitou para debater com qualquer seriedade as condições de vida e trabalho dos policiais, bombeiros, guardas municipais e agentes penitenciários, não foram lembrados os cortes orçamentários federais para a segurança pública e nem o desmantelamento de importantes programas do governo Lula, não se abordou a legislação anacrônica que rege a segurança no Brasil, não se falou do absurdo extemporâneo, do entulho constitucional culturalmente autoritário, herdado, que faz o Brasil contemporâneo continuar olhando para as PMs da mesma forma que as olhava a ditadura, como militares e não como policiais, submetidas a uma lógica que deveria servir apenas às forças armadas ( o que não significa que precisem perder a estética militar), não se lembrou do óbvio caos e anarquia a que sempre estarão sujeitas profissões às quais todos os direitos são negados, inclusive o de sindicalização, sempre que a “panela de pressão” explodir, quando já não suportarem mais as violações de seus próprios direitos humanos.
A mídia e o estado brasileiros, sem compreender a correlação entre segurança e desenvolvimento, continuam tratando os profissionais da área como meros “braços armados” e, na contramão da história das democracias, estudam a hipótese de sufocá-los ainda mais, penalizando os grevistas como “criminosos federais” e retirando da pauta a PEC 300 ( que tem sido tratada com assustadora leviandade, como mera invenção manipulatória de políticos demagogos e irresponsáveis). A mesma velha lógica da ditadura, de encarar as reivindicações sociais como “caso de polícia” hoje é usada contra a polícia (que tem nisso uma chamada pedagógica para rever o seu próprio passado como braço armado de elites insensíveis às demandas populares). É um caminho muito burro, além de tudo. Não se contém, historicamente, nenhuma forca reivindicatória na base da penalização e da porrada. A coisa volta e volta pior. Sem liderança autorizada constituída, formal, responsabilizável, sem canais institucionais legítimos, cada nova explosão é mais perigosa do que a anterior. As causas? Parece que os poderosos não estão preocupados com elas. A lógica é tecnocrática, aritmética, economicista, de curto prazo, de estancamento puro e simples dos fenômenos/consequências. Contas, tabelas, números, não pessoas. Essa gente tem um pensamento linear, econométrico, e não alcança uma visão de complexidade. Em sua miopia histórica, confunde investimento com gasto e negociação inteligente com fragilidade. O Brasil enriquece mas continua com mentalidade de terceiro mundo….
Abraço fraterno do Ricardo Balestreri.

Sobre este texto

Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.

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Sobre o autor

Pensamentos Imperfeitos

Escritor e cronista

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3 comentários

  1. Sandro, há algum tempo eu acompanho o seu blog, mas sempre de forma silenciosa – sem me pronunciar. Como milhares de outros estudantes espalhados pelo país que pleiteiam uma vaga na Polícia Federal, vi com preocupação a maneira como os fatos se desenrolaram.
    O amor que me move em sentido a esse concurso – que virá – ainda é maior do que as dificuldades que certamente enfrentarei, mas percebo que nossa sociedade segue por um caminho perigoso, de marginalização das forças de segurança, tratando a todos ora como pobres coitados, ora como bandidos legalmente instituídos.
    Os cidadãos, nitidamente manipulados, não conseguem perceber que está se formalizando no Brasil um ambiente de guerra civil que, sem tardar, estourará nos colos da coletividade.
    Quem ganha com essa desordem? Essa é a pergunta…

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