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Polícia, Greve e Sobrevivência

Por Pensamentos Imperfeitos Publicado em 12 de fevereiro de 2012 Atualizado em 18 de agosto de 2026 4 min de leitura
Eis que foi estabelecido o caos…
Será mesmo?
O que diferencia a greve dos policiais militares da Bahia da greve do RJ?
Por que lá o movimento alterou tanto a rotina da sociedade desde os seus primeiros instantes e no Rio, a população aparece insistindo que vê os policiais nas ruas?
Alguém no Brasil ainda tem dúvidas de que é impossível um policial militar viver com dignidade com o soldo que recebe nos dois estados? Então por que a diferença???
Tive a honra de conhecer uma infinidade de policiais militares do mais alto valor, nesses 16 anos de polícia federal. Homens de bem, voltados para o cumprimento do seu dever e a manutenção de sua família. Muitos imersos em jornadas duplas e triplas de trabalho, para que mulheres e filhos vivam com o mínimo de conforto.
Conheci outros tantos também, que após anos de massacre, de descaso, de submissão a um questionável regime militar, impensável para uma polícia verdadeiramente cidadã, escolheram caminhos largos, porém tortuosos, como o da milícia e da associação com outras formas de delito. Ao contrário do que muita gente pode pensar, distante da retórica de alguns oportunistas, a milícia e a associação cada vez maior de agentes da lei com o crime organizado era algo que poderia ser esperado pelos gestores públicos. Muito próximo da estória de Santiago Nassar, imortalizado pela obra prima de Gabriel Garcia Marquez “Crônica De Uma Morte Anunciada”, esses fenômenos nascidos em berço carioca, que agora se espalham pelo Brasil, eram algo que qualquer um com um olhar mais atento para a gestão da segurança pública já sabia há anos.
Mas o que isso tem a ver com o esvaziamento do movimento paredista?
Simplesmente porque uma parte considerável das corporações envolvidas tem suas atividades nesses órgãos em um segundíssimo plano. A necessidade de sobrevivência fez com que grande parte do efetivo buscasse outros ramos de atividade ( a maioria de natureza legal ), para depositar seus maiores empenhos. Obviamente que gostariam muito que um mega aumento viesse para seus contra-cheques, mas se resignam com o que o governo concede.
Para muitos, a carteira de polícia é um algo mais em suas jornadas múltiplas de trabalho. Um adicional que sempre fará com que o meio olhe para eles de forma diferenciada, invariavelmente, com uma dose maior de respeito, que pode ser determinante para estarem livres de práticas impetradas por seus próprios colegas de farda ( ou de distintivo ).
Talvez, por conta disso, alguns prefiram não se envolver tanto, ou não arriscar suas carteiras ou distintivos…Muitos também não concordam em quebrar o juramento que fizeram de estar sempre à disposição da sociedade…Sim, esses policiais também existem.
Tudo isso faz parte de um enredo complicado, que começou em 1808, com a chegada do comedor de coxinhas de frango ao Brasil. O tempo passou e ninguém quer assumir a demanda de transformar as forças de segurança pública em algo verdadeiramente profissional. Com a estrutura necessária para que o elemento humano possa desenvolver suas capacidades de operador de segurança de forma contínua.
O amadorismo é tão grande que chega a ser tragicômico. Muitos, com boa formação intelectual, não aguentam sequer um ano após a posse e a entrada em exercício. Então, claro está que não é apenas um fator A ou B, que determinam os rumos de uma greve policial, de uma reestruturação na segurança e a formulação de uma política de gestão sensata. É um tabuleiro superlativo de xadrez, no qual os reis só conseguem olhar para seus orifícios, que um dia já os ligaram aos ventres de suas mães.
Admiro a maioria absoluta dos Mikes e Charlies que eu conheço…tenho orgulho de muitos…mas é uma pena que sua cruzada seja tão ingrata, pois os moinhos de vento que combatem conseguem manipular a opinião pública para que as verdades sejam distorcidas na integralidade do tempo.

Sobre este texto

Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.

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Pensamentos Imperfeitos

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6 comentários

  1. Os profissinais de saúde, segurança e educação, exatamente as três áreas fundamentais para o equilíbrio necessário da sociedade, estão abandonados pelos governantes. Infelismente, nós que lutamos para educar, defender e cuidadar da saúde dos cidadãos não somos valorizados, em contrapartida, os que não fazem nada, os políticos em geral, são os que consomem a maior parte dos recursos públicos, geralmente com corrupção.

  2. Sociedade dos valores invertidos … pagam-se milhões a um cantor ou jogador envolvido com tráfico, big brother ou coisa que o valha e nada para um professor, médico ou policial… vamos plantar uma semente contra essa inversão.

  3. É notório que os investimentos são precários em diversas áreas da sociedade por motivos injustos e crueis, mas não exime a polícia de zelar pelo bem da sociedade.Há fatores em jogo que ninguém é inocente a ponto de desconhecer salários, condições de trabalho, etc.Existem formas lícitas de lutar por seus direitos.Digo isso para os que cometeram crimes e desejam a anistia.Todavia, aos que pacificamente aderiram a greve também discordo por ser inconstitucional militares fazerem greve e ter associações.Imaginem os problemas que aconteceram para a população incluindo a própria família dos policiais.Além disso, os cabeças do movimento, pelas interceptações gravadas pela polícia, visam propósitos particulares e políticos e não o bem geral.É complicado…

    Excelente o livro do Sandro pessoal…recomendo.

    abraço

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