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Polícia Federal: Crônicas de uma viagem ao inferno: PRÓLOGO

Por Pensamentos Imperfeitos Publicado em 22 de agosto de 2012 2 min de leitura
Eu, o escrivão
Alexandre Agra e, excepcionalmente naquele dia, a escrivã Celina, estávamos em
uma viatura descaracterizada, dirigindo-nos a um  CIEP, escola pública estadual, no município
de Itaboraí. Devia ser por volta de 10h da manhã, quando, ainda dentro da
viatura o meu celular tocou. Era o meu amigo Renan, que frequentava a mesma
igreja e a mesma célula que eu. Meio que sem perder tempo, ele disparou:

– Irmão. Estou te
ligando porque tive uma revelação, irmão. Você vai ser batizado na igreja no
próximo domingo, mas Deus mandou eu te dizer que ele batizará você antes disso.
E será pelo fogo!! Tenha certeza que Deus tem um plano enorme para a sua vida,
mas você será posto à prova antes.
Ouvi atento tudo o que
ele disse. E após desligar, automaticamente verifiquei minha pistola, os
carregadores e a munição. Pensei que esse batismo, de repente, poderia ser na
própria escola para onde estávamos indo, pois ela fica situada em uma área de
altíssimo risco, completamente dominada pelo tráfico de drogas. E eu mesmo já
havia participado de algumas operações ali. Então, minha mente redobrou os
cuidados e fiquei ainda mais atento.

Chegamos ao CIEP,
realmente encravado em um reduto do tráfico, e seguimos nossa rotina.
Ministramos a palestra para os alunos, imersos na dura realidade de sobreviver
em uma comunidade marginalizada. Até o último minuto me mantive mais atento que
o de costume, por conta das palavras do meu amigo da igreja.
Afinal, eu seria
batizado no próximo domingo, 28 de Novembro, após frequentar um semestre de
aulas no curso de integração da Igreja Betania de Icaraí, em Niterói. Então,
havia pouco tempo para ser batizado pelo fogo. Mas jamais desprezo palavras
como as dele.

Voltamos para a delegacia
e meu dia transcorreu normalmente. Sem grandes alterações. Mas a “profecia” do
meu amigo estava dentro da minha mente. E eu, meio sem saber porque, na hora do
almoço, respondi uma pergunta de um interlocutor, que me arguiu sobre o meu
maior medo. Eis que respondi: “Perder a liberdade e a independência.”

Ali, o profeta estava
sendo eu mesmo.

Sobre este texto

Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.

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Pensamentos Imperfeitos

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