Cena 1: Você deixa algumas canetas sobre sua mesa de trabalho e sai de sua sala para uma ida ao banheiro. Na volta percebe que uma das canetas desapareceu e, aproveitando-se da “webcam” que estava ligada, tenta descobrir quem a pegou. Para a sua surpresa, o seu chefe imediato esteve na sala durante sua ausência e meio distraidamente, pegou sua caneta para fazer algumas anotações. O que você faz? Absolutamente nada. Talvez, até sinta uma ponta de orgulho pelo fato do chefe usar sua caneta.
Cena 2: Você deixa alguns blocos de papel sobre sua mesa de trabalho e sai da sala para tomar um café. No momento em que retorna, dá conta da ausência de um dos muitos blocos de papel que ali estavam. Numa rápida checagem na “webcam” de seu notebook, identifica um colega de trabalho como responsável pela subtração do bloco. Então, você sai da sala, vai ao encontro do colega e segue um dos dois roteiros:
Se for amigo e gente boa com você, dirá entre risos: “Ô seu espertão! Na próxima vez pede antes de pegar o bloco.”
Se houver animosidade com ele, irá vociferar: “Presta atenção!!! Não quero você entrando na minha sala e pegando minhas coisas, entendeu?”
Cena 3: Você deixa alguns pães de mel sobre sua mesa de trabalho e sai para respirar um pouco de ar puro. Quando chega de volta, vê que um dos pães de mel não está mais ali. Rapidamente aciona as imagens gravadas pela “webcam” que estava ligada, e identifica a faxineira como autora do furto. Pior. A moça consumiu o pão de mel ali mesmo. Então você aciona a equipe de segurança, e realiza todo um procedimento de apuração de crime, para embasar um pedido de demissão por justa causa, que seria posteriormente feito à prestadora de serviços.
Fiz questão de tentar ilustrar ao máximo as três possibilidades. E esse personagem, poderia ser qualquer um de nós, que mesmo sem que admitamos, carregamos uma carga enorme de preconceito e uma grande adaptabilidade às situações. Na verdade, a adaptabilidade de comportamento é muito intensa no que diz respeito ao modo como lidamos com as pessoas ao nosso redor. Obviamente, nestas épocas em que muitos arvoram bandeiras de altruísmo e igualdade social, as “jogadas para a torcida” acabam se multiplicando. Se houver a menor possibilidade de haver uma câmera gravando nossos passos, muitos de nós pensam uma, duas, dezenas de vezes antes de deixar transparecer sua sinceridade de comportamento.
Aprendemos desde cedo, mesmo que isso não seja formalmente ensinado, que algumas pessoas são mais respeitáveis que outras. Daí a predisposição social de “engolir sapos” dos superiores hierárquicos, bater boca com aqueles que são mesmo nível que nós e atropelar quem consideramos inferiores. Assim, a faxineira ilustrada no texto, que na verdade são milhares espalhadas pelo Brasil, que não são inocentes de todo, pois subtraíram coisas que não lhes pertencem, são expostas como cidadãs de baixo nível, pelo grave crime de: serem simples faxineiras.
Li por aí, que quem rouba um pão de mel, rouba um milhão…Será?
ISSO E RORAIMA, NO MINIMO UMA CONDUTA ESCANDALOSA, POIS SE NÃO TIVESSE FEITO ALARME POR CAUSA DE UMA COISA INSIGNIFICANTE, TERIA DESCOBERTO DA MESMA FORMA MAIS JA QUE FEZ NÃO PODERIA VOLTAR ATRAS OU ESTARIA PREVARICANDO.