Mulher Policial Federal
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| EPF Márcia Valéria Brito |
Elas são mães, esposas, donas de casa e profissionais. No Brasil, existe um total de 11.596 policiais federais, sendo que 10.022 são homens e 1.574 são mulheres. Apesar de ainda ser a minoria entre os homens, as policiais federais conquistaram com competência, perseverança e profissionalismo o seu lugar na instituição.
As dificuldades são muitas, mas elas não reclamam e se doam à profissão com muito empenho. “Ser policial federal é exercer uma das mais belas profissões em que doamos nossos dias e noites, muitos feriados e festas. Sacrificamos o convívio com aqueles que amamos para fazer do Brasil um país melhor”, conta Bibiana Orsi, policial federal há três anos e delegada sindical do Sindicato dos Policiais Federais no Paraná (SINPEF-PR).
Na turma formada em 1979, o número de mulheres não chegava a dez. No último curso de formação, participaram 516 homens e 65 mulheres. Muitas policiais já estão nas fronteiras do país e, desde 2006, uma policial já está lotada no Comando de Operações Táticas (COT).
As policiais levam uma vida corrida e agitada, e mesmo assim procuram conciliar a vida profissional e a pessoal para que tudo fique em perfeita sintonia. “As mulheres têm a capacidade de realizar múltiplas tarefas ao mesmo tempo. Temos que organizar com antecedência a casa, sabendo que vamos ter de sair para uma operação policial que pode durar um, dois ou mais dias. Também temos que deixar tudo em ordem para que as coisas não desandem quando não estivermos presente”, diz EPF Márcia Valéria Brito, policial federal há sete anos.
Dificuldades
O preconceito é um dos motivos de luta das policiais federais. E, segundo algumas, o problema é interno. “O preconceito existe mesmo é dentro da instituição, fora dela é praticamente inexistente”, afirma EPF Márcia, que, há alguns anos, foi vítima de assédio moral (veja aqui). “Embora não possa ser provado, grande parte dos procedimentos espúrios que sofri, deveu-se também ao fato de eu ser mulher e não reagir prontamente às agressões”, conta.
Assim que entrou na Polícia Federal, há mais de 20 anos, Rejane Peres Teixeira, atual presidenta do Sindicato dos Policiais Federais no Estado da Bahia (Sindipol-BA), notou que havia muita resistência dos superiores em colocar as mulheres para atuar na área operacional. “As policiais ficavam mais na secretaria”.
Para Bibiana, desde a aprovação no concurso as mulheres são discriminadas. “A prova física fere a isonomia entre homens e mulheres. O número de reprovação é mais alto do que o dos homens, não por incapacidade, e sim, porque é praticamente impossível, com a nossa fisiologia, alcançar índices propostos com base no corpo de um homem”, avalia.
Quando passam no concurso, as aprovadas encontram professores preconceituosos na Academia Nacional de Polícia (ANP). Nas lotações, há uma “cota velada” de mulheres para cada núcleo. “Não importa a capacitação de uma mulher, nós somos `distribuídas` entre os setores e equipes para não ‘prejudicá-los’ nas operações”, relata a APF Bibiana.
Outra dificuldade é a falta de colete feminino. “Os coletes são todos enormes, desconfortáveis, com tamanho e peso inadequados para as mulheres”, reclama a EPF Márcia.
Sexo frágil? Não!
Em muitas atividades realizadas na Polícia Federal, as mulheres têm o desempenho igual, ou melhor, ao dos homens. “Ninguém é bom em tudo. Uns são bons em algumas atividades e outros são bons em outras”, pondera Rejane Peres, medalhista de tiro e considerada uma das melhores atiradoras do DPF.
Outra que se destaca em competições de tiro é a APF Bibiana, que já ganhou quatro medalhas na última edição dos Jogos de Integração dos Servidores da Polícia Federal (JOIDS), realizada em Fortaleza. Ela também já conquistou diversas medalhas em outras competições da Federação Paranaense de Tiro Esportivo.
“Não queremos ser protegidas nem discriminadas. Queremos apenas ser respeitadas como policiais e mulheres que somos, que saem de casa todos os dias, deixando maridos e filhos, para lutar por uma sociedade melhor para todos”, diz a policial e sindicalizada Bibiana.
Por amor aos filhos
Depois de serem aprovadas em disputados concursos e alcançarem a tão sonhada profissão, as policiais federais, muitas vezes, deixam de trabalhar em um cargo que almejam, porém, considerado de risco, por amor aos filhos. “As colegas que têm filhos e tentam ser boas mães acabam tendo que abrir mão das atividades de investigação e operacionais para cumprir seu papel familiar”, conta Bibiana.
Quando se tornam mães, algumas preferem ir para setor administrativo, setor de projeto, enfim, setores mais tranquilos, para montarem uma rotina e poderem ficar mais tempo com os filhos.
Para APF Giovanna Callegari, que ingressou na instituição em 1988 e é mãe de um menino de seis anos, a vida de uma policial não difere muito de outras profissões. “A rotina é quase a mesma. Temos que levar o filho na escola, organizar a casa etc. Quando fica tudo muito corrido, recorremos à ajuda de amigos e familiares”.
Outras policiais, mesmo após a maternidade, preferem continuar nas atividades operacionais. “Conheço policiais que continuam nas atividades de investigação e operacionais e, mesmo assim, conseguem conciliar a maternidade com o trabalho. É uma decisão pessoal de cada uma. Não existe o certo e o errado”, acredita Giovanna.
Algumas delas sentem saudade da função que desempenhavam antes de ser mãe, mas não se arrependem, pois, além de não ser uma decisão definitiva, atribuem a um ato de amor pelos filhos.
Sobre este texto
Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.
12 comentários
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Parabéns as mulheres!!!!
Vamos ver se elas dão um jeito neste país. Por que os homens só fizeram M….
Salve as mulheres!! Eita coisa boa!!! rsrs -
Há lugar pra todo mundo que é do bem
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Sandro, mandei outro email no misanthay@yahoo.com.br. O livro chegou segunda. Aconselho a todos leitores desse blog a lerem esta obra (Federal – Uma história de polícia). Um abraço Lucas A.
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Ainda não havia lido um texto assim, escrito por agentes femininas… esclarecedor e meio que preparador, pois não imaginava que o preconceito era tão grande assim… sabia que existia, mas achei que não fosse tão gritante. Na verdade já começa com o teste físico, né… não é impossível, mas é muito mais difícil pra nós.
Vamo nessa.
abraços
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concordo com fantasia, o exame físico é possível, e além do mais, tem que ser exigido sim. se não quer fazer nada que exija muita força, agilidade, velocidade, etc. opte por outra profissão.
ass. outra mulher -
Gostaria de saber qual o papel da Agente no setor administrativo, de projeto, etc… E se ela pode negar ir às operações.
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vouu ser uma policia federall ..kkkkkk
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Outra mulher, vc não passa de uma ignorante de primeira linha. Em momento algum a autora do texto disse que não era para ser exigido o teste físico e muito menos que não queria fazer força. Ela apenas questionou o fato de se exigir que as mulheres tenham o mesmo desempenho dos homens, o que, de modo geral, é muito difícil. É isso aí, parabéns as mulheres que passam no concurso, que enfrentam uma verdadeira maratona de estudos e depois enfrentam outra lá dentro. O resto é inveja de quem não consegue chegar lá.
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Meu maior sonho é seguir essa profissão!
Se Deus quizer chegarei lá!
E cada vez que leio entrevistas como essas tenho mais vontade!
ParabénsMulheresGuerreiras#-
Vdd…eu quero tbm entrar nessa profissão quero ser uma policial…bem maneira ….kkkk;
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SE DEUS QUISER VOU ME TORNAR UMA AGENTE FEDERAL, VOU LUTAR POR UM PAÍS ONDE A MULHER PODE SIM COMANDAR UMA OPERAÇÃO TÁTICA, SOMOS FORTES E CAPAZES E NENHUM PRECONCEITO DIMINUÍRA A NOSSA CAPACIDADE.
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Desculpa mas o teste físico das mulheres não é nada impossível…
De resto não posso opinar.
Abraços