Mentirosos e Bajuladores: Aqueles que acabam com a fé nos homens
Tenho procurado escrever sobre coisas amenas. Coisas que fazem bem a quem lê, de uma forma ou de outra. Incentivos, exemplos do que pode dar certo na vida de cada um. De certo modo, algumas palavras vão de encontro aos anseios de muitos, que revigoram sonhos a serem realizados. Renovam-se para a continuidade da batalha diária que a vida…Enquanto isso, vou me despindo dos meus próprios sonhos. Muito por conta do que vejo diante de mim…
Observando minhas próprias palavras, paro para pensar em certas coisas que acabam por me acontecer com mais freqüência do que antes. Talvez pelo fato de hoje, eu lidar com procedimentos administrativos que interessam a muitos. Lembro-me de um professor da Academia Nacional de Polícia, que disse certa vez, que nós policiais teríamos pouquíssimos amigos ao longo de nossa carreira. Falou que, principalmente para os que trabalhassem em áreas como imigração, a quase totalidade dos novos amigos surgiria por mero interesse.
Percebo isso comigo mesmo. E isso me faz mal. E isso me faz escrever com certa raiva, com certo rancor, que são sentimentos contra os quais luto durante toda a vida. Hoje, não conseguiria listar meus “novos amigos de infância”. São muitos…Inúmeros…um sem fim de gente…Pessoas que fazem questão de me tratar com alegria esfuziante, utilizando todos os artifícios para massagear meu ego, na medíocre tentativa de ter algum tratamento diferenciado em algum pleito. É verdade que estou sempre sorrindo. Até para esses indivíduos, cobertos de falsas boas intenções. Aprendi a tratar todos com educação.
Desde que lancei o livro, é recorrente a conversa fiada:
“E aí, Sandrão?? Tudo bem? E o livro? Já vendeu muito? Vamos ver se promovemos ele assim ou assado…” ou
“ Sandrão, conheço algumas pessoas, alguém de um certo programa de TV ou rádio, que quer te conhecer, para levar você para falar do livro…e blá, blá, blá”
Agora, é bem comum ouvir:
“Vamos fazer uma cobertura do Projeto Geração Careta, no programa X ou Y, para que seja mais fácil conseguir apoio e divulgar a idéia…”
A lista dessas pessoas inclui gente famosa, que trabalha em meios que realmente poderiam dar uma dimensão maior à estória de Caio Rattes, ou obter apoio para o nosso Geração Careta. Mas tudo não passa de uma mera preparação, para que o pedido venha em seguida. Acham que fazendo isso, conseguem passaportes com urgência maior que um cidadão comum…ledo engano…Qualquer cidadão do universo pode obter urgência em qualquer procedimento no Departamento de Polícia Federal, desde que a urgência seja comprovada. E essa comprovação vale também para os mesmos bajuladores de ocasião.
Na verdade, escrevo isso, pois não agüento mais esse tipo de abordagem. Não quero esse tipo de relacionamento na minha vida. Se algum de vocês, que massageiam meu ego, falando do Anjo ou do Projeto Geração Careta, numa tentativa pífia de me bajular, tiver a oportunidade de ler este texto, tenham em mente que nunca tive ilusão de que me consideram de verdade.
Para mim, o famoso A, o empresário B ou o atleta C, são tão importantes quanto o objeto principal das minhas atenções no cotidiano nesta Polícia. Esse objeto é o público. É para eles que trabalhamos. É pensando neles, que buscamos melhorar a cada dia. E por ser geral e irrestrito, esse público engloba tudo e todos. Não serão medalhas ou luzes da ribalta que irão seduzir uma postura séria, adotada por todos nós por aqui.
Meus verdadeiros amigos saberão se excluir de tudo o que escrevi aqui. Amizade e consideração demandam posturas peculiares, que não surgem da noite para o dia, por conta de um mero interesse. A esses amigos, apenas agradeço. Pois sei muito bem que posso contar com eles nesta dura caminhada…Muitos me ajudaram e ainda me ajudam de verdade…muitos, sei que fazem o máximo…São amigos.
Sobre este texto
Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.
2 comentários
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Talvez essa seja uma tendência mundial, do ser humano em si, e não apenas na Polícia.
Encontrei pessoas assim no colégio, quando um estava melhor que outro, numa sala melhor que outro, sendo amiguinho para buscar respostas de prova. Também encontrei no cursinho, apenas por interesse, em querer manter amizades para um 'futuro sucesso profissional'. Hoje em dia é difícil encontrar aqueles que realmente querem ser seus amigos pela sua personalidade ou pelo caráter que você possui.
Mas eu não sei, acredito que cada um tenha um jeito para lidar com isso. É como você falou, ao final somos educados, mas nunca deixamos essas pessoas penetrarem muito em nossas vidas – eu pelo menos sei que não deixo. Com o tempo, descobrimos quem são nossos amigos, nossa família postiça, e é neles que devemos olhar e cuidar, porque é isso que fazemos para a família. Os colegas podem continuar recebendo o tratamento de colegas, acredito… Até que eles queiram algo além. Amizades são sempre bem vindas.
Mas como no comentário passado, não perca sua fé, Sandro.
Abraços!
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Eu poderia aqui dizer palavras encorajadoras de todo tipo, ou "massagear seu ego" como muitos fazem, porém limito-me a repetir o que escrevi ao final de alguns e-mails que trocamos e que aprendi com meu amigo Alpha Victor: "Força sempre!"
Não desista por esses acariciadores de ego, pois muitos estão aparados em seus esforços, continue por esses que você tem mudado a vida e que se enxem de esperança sabendo que tem gente boa querendo mudar esse país. Faz tempos que os rumores de que os bons estão chegando lá está aumentando.
Tenha Fé.