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Luto

Por Pensamentos Imperfeitos Publicado em 27 de junho de 2010 Atualizado em 18 de agosto de 2026 3 min de leitura

Em 1986 eu voltava de uma viagem de férias, que fiz para Vila Velha, Espírito Santo, quando, na descida do ônibus, em frente ao prédio onde morava, em Icaraí, Niterói, fui assaltado, perdendo ali as minhas melhores roupas…material de mergulho…fitas K7…walkman… Na prática, fiquei apenas com a roupa do corpo, pois aquelas que eu havia deixado em casa, eram as que eu quase nunca usava.

Foi um trauma. Gritei e chorei de desespero. Vi que algumas pessoas que presenciaram a cena deram meia volta para não se intrometer. Algo terrível, que não esqueço até hoje. Depois daquilo, eu então com 16 anos não conseguia nem andar pelas ruas da cidade. Estava apavorado demais.

Depois de algum tempo, preocupado com a persistência do trauma, meu pai teve a grande idéia de me mandar passar uma temporada em Maceió, Alagoas, terra onde nasci. Na verdade, era como se eu fosse o precursor das intenções claras da minha família retornar para lá. A minha ida era um teste…para ver se haveria como um adolescente de 16 anos se adaptar em um lugar tão diferente do Rio de Janeiro.

E lá cheguei em janeiro de 1987, indo inicialmente para a casa do meu tio Vicente, irmão da minha mãe, pessoa que admiro muito até os dias de hoje. Foram bons os dias que passei lá. Mas quando fui visitar meu Tio Reinaldo, que aprendi desde muito cedo a chamar de tio “Rei”, decidi que era naquela casa de humildade extrema que gostaria de passar aquela temporada em Maceió.

E assim (re)começou minha história com meu tio Rei, minha tia Gerusa ( tia Gel, para mim ) e meus primos Reizinho, Hideraldo e Rique. São como irmãos para mim até hoje. As grandes referências de amizade que tive na minha vida, antes de vir definitivamente para o Rio de Janeiro. Na verdade, meu primo Reizinho é o meu irmão de verdade.

Sempre que estava em Maceió sem meus pais, ficava naquela casa no bairro do Prado, centro da cidade. Muitos diziam que a casa era humilde demais…que não havia espaço para eles direito e muito menos para mim. Mas sempre fui tão bem recebido ali, como membro da família…fui feliz com eles.

Muitos podem não entender as razões que me levam a escrever estas linhas. Mas é minha homenagem…Homenagem ao meu Tio “Rei”…uma referência de amizade do meu pai, que assim como eu, sofre a perda do magrão. Não vou esquecer jamais, como os dois foram adolescentes até hoje, quando estavam juntos. O tempo poderia passar aos montes. Mas a imagem que fica para mim é dos dois, meu pai e ele, comportando-se como moleques que se divertiam a valer um com o outro.

Meu tio…Meu querido…Você será sempre uma lenda para mim. Obrigado por TUDO…Descanse em paz…Se houver um paraíso no céu, certamente você estará por aí, divertindo-se a valer com o seu coração enorme.

Sobre este texto

Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.

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Sobre o autor

Pensamentos Imperfeitos

Escritor e cronista

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10 comentários

  1. Meu sentimentos Sandro, uma perda nunca é fácil.
    Fique tranqüilo, ele com certeza está melhor do que nós todos.
    Abraços!

  2. Meus sentimentos! sei como é perder uma pessoa querida.
    Não sabia que vc era alagoano como eu Sandro.
    Sua história lembra um pouco a minha. Minha infância no interior alagoano e minhas férias na casa do meu tio na capital.
    Abraços!

  3. "E lhes enxugará dos olhos toda a lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. As coisas velhas já passaram." Apocalipse 21:4

    "Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus." Mateus 5:3

    Temos que confiar nas promessas de Deus. No final venceremos a morte e espero que volte a reencontrá-lo.

    Abraços de um guerreiro
    JP

  4. Obrigado a todos vocês.
    Meu tio era uma FIGURA…
    Jamais esquecerei como ele e meu pai se portavam como crianças. Uma coisa quase pueril mesmo.
    Mais uma vez obrigado

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