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Linha Vermelha: Capitulo I (1)

Por Pensamentos Imperfeitos Publicado em 13 de junho de 2009 Atualizado em 18 de agosto de 2026 5 min de leitura


Meus Caros,
Seguidores, leitores eventuais,
Esta é uma parte do primeiro capítulo do livro “Linha Vermelha”, que estarei publicando em alguns meses. Gostaria que todos que tiverem oportunidade de ler, deixem alguma critica. Para mim, será muito importante.

O grande conforto de um carro de luxo, não impedia que o trânsito daquela hora do dia, fizesse com que qualquer pessoa perdesse completamente a paciência.
“Mas que idéia genial, a minha… é, Beth Tenuri…Você paga uma fortuna ao seu motorista particular e vem sozinha ao Galeão trazer seu filho. Grande programa para uma quinta-feira à tarde.”
A bordo de seu Honda Civic de última geração, Elizabeth Tenuri já começava a se impacientar com o ritmo irritante do tráfego na Linha Vermelha, naquele final de tarde.
“É… mas poderia ser pior…” divagava enquanto observava a infinidade de ônibus e vans, completamente lotados, como verdadeiros paus-de-arara urbanos, dividindo com ela a lentidão extrema da única via que liga o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ao resto da cidade.
Protegida por uma temperatura interna de 20º, não conseguiu conter o riso sádico ao imaginar o calor que fazia no interior daqueles coletivos repletos de gente suada e cansada, voltando para casa após mais um exaustivo dia de trabalho. A leve risada se transformou numa quase gargalhada, quando lembrou “Nem lembro mais da última vez que fiz alguma coisa para ganhar dinheiro.”
Aos quarenta anos de idade, Elisabeth Tenuri era o que podia se chamar de mulher bem-sucedida, do ponto de vista estritamente financeiro. Possuía uma situação econômica extremamente confortável, que lhe permitia estar classificada entre algumas das pessoas mais ricas do Rio de Janeiro. Mas tanto conforto não se deveu a qualquer traço de trabalho em seu passado.
Oriunda de uma família de classe média baixa, moradora do subúrbio carioca, trabalhou durante algum tempo como caixa numa grande churrascaria da cidade. Ali acabou conhecendo aquele que viria a ser seu primeiro marido. Na época, com 19 anos, Elisabeth já era uma mulher muito bonita. As poucas horas disponíveis que tinha eram passadas em uma pequena academia de ginástica, localizada nas proximidades da sua casa. Isso somado à sua beleza natural fazia dela uma mulher esteticamente acima da média.
O trânsito de pessoas famosas e influentes era comum na churrascaria onde trabalhava. Conhecia muitas e acabou travando laços de camaradagem com algumas. Entre elas o empresário Haroldo Pimentel, dono de uma das mais bem conceituadas construtoras do Rio. Pimentel havia perdido a mulher num acidente e não tinha filhos, estando, então, com 41 anos.
Ele não era o que poderia se chamar de homem bonito. Muito pelo contrário. Baixo e um tanto quanto atarracado, também não era nada simpático com quem não fazia parte do seu círculo de amizades. Aliás, era até considerado um grosseirão por boa parte das pessoas que trabalhavam em suas empresas. Dificilmente um sorriso podia ser notado por detrás do vasto bigode que usava há anos.
Tanto mau humor não impediu que Haroldo acabasse se encantando pela jovem que trabalhava como caixa no restaurante que mais freqüentava. A beleza estonteante de Elisabeth acabou por conquistar o empresário.
No início, ele mesmo pensou que seria apenas mais uma aventura. Mais uma mulher bonita entre as tantas que o dinheiro pode comprar. Mas ele não esperava que fosse se deparar com um furacão sexual de apenas dezenove anos. Elisabeth mostrava-se voluptuosa, como poucas. Parecia ter uma experiência que o deixava confuso e o levava aos extremos dos prazeres da carne. Em pouco tempo estava completamente entregue à moça. Três meses após a primeira ida a um motel de luxo na Barra da Tijuca, casaram-se discretamente, em uma cerimônia onde apenas os poucos amigos de Haroldo e a família da noiva compareceram.
Pouco tempo após o casamento, a volúpia do início de namoro deu lugar a uma mesmice que precipitou a quebra do encanto. A amante explosiva, quase ninfomaníaca, deu lugar a uma mulher pouco preocupada com o prazer do marido, que tinha seu ritmo de viagens de trabalho cada vez mais aumentado pela demanda do mercado da construção civil no Brasil.
Um ano depois do casamento já eram estranhos um para o outro. Estranhos que sempre foram, na verdade. Elisabeth viu em Haroldo sua grande chance de mudar definitivamente de vida e traçou uma meta que tratou de cumprir de forma rigorosa. Travestiu-se de vulcão erótico no intuito exclusivo de conquistar o empresário, que sabia ser um solitário e ter grandes dificuldades de se relacionar com as pessoas, por seu difícil temperamento. Nunca sentiu uma gota de desejo por Haroldo. Achava-o feio e mal humorado, além de nunca ter tido um único orgasmo ao seu lado. Até o seu cheiro a incomodava. Sua sorte foi o fato dele ter se tornado viúvo cedo e não ter familiares ou grandes amigos a quem desse ouvidos. As intenções de Elisabeth eram claras para quem observava os dois.
Quando entraram no terceiro ano de casamento, Haroldo deu os primeiros sinais de que já não estava mais satisfeito com aquele relacionamento. A separação era iminente, quando Elisabeth engravidou. Embevecido com a idéia da paternidade, o empresário esqueceu por algum tempo de suas insatisfações com a mulher. Afinal, para um indivíduo rico como ele, mulheres podiam ser compradas por um preço a combinar. Deixou Elisabeth de lado e passou a dar atenção exclusiva à barriga que ela carregava.
Liana nasceu realmente como uma princesa. Apesar de ter sido concebida por Elisabeth apenas no intuito de não perder o contato com a fortuna do marido, não foi menos amada pela mãe por conta disso. Elisabeth e Haroldo apaixonaram-se de imediato por aquela menininha careca com os olhos azuis como os da mãe. Mas nem esse amor conjunto pela criança, serviu para recuperar o que já estava acabado. O casamento chegou ao fim logo após o aniversário de um ano de Liana. E Elisabeth se divorciou pela primeira vez

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Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.

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