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Grampolândia Descontrolada

Por Pensamentos Imperfeitos Publicado em 04 de abril de 2009 Atualizado em 18 de agosto de 2026 4 min de leitura
Qualquer dia desses iria acabar acontecendo…escrever sobre grampos, (dês) inteligência policial, descontrole, utilização da máquina policial para fins políticos e (!) particulares…
Eis que o dia chegou e acabo escrevendo, principalmente, por estar vivendo os meus dias em meio a PARANÓIA sem cabimento, gerada por atuações estapafúrdias e questionáveis de agentes da lei (?). As polícias, em todos os seus seguimentos, resolveram criar uma categoria de policiais, que sequer constam oficialmente em seus quadros, que são os chamados analistas de informações, ou de inteligência.
Atitude louvável é especializar o policial no tratamento das informações, tornando-o apto a decifrar, de forma lógica e verossímil, as intrincadas linhas de comunicação utilizadas pelo crime organizado hoje em dia. Entretanto, os critérios adotados para o recrutamento desses analistas (?) policiais são extremamente questionáveis.
Na verdade, tudo parte de uma premissa estúpida, que é a de que a maior parte dos policiais mais antigos, com muitos anos de serviço, são pouco confiáveis. Então, os jovens, incipientes e absolutamente sem experiência de polícia ( e, por que não?, de vida ) recém-saídos das academias são recrutados para compor uma suposta “elite” de agentes de segurança, que combaterão o crime em seus bastidores. Deixo aqui uma ressalva, tendo em vista o perigo da generalização, pois já tive a honra de conhecer “novatos” muito coerentes, capazes e comprometidos com a vida policial.
Mas, infelizmente, o que ocorre de maneira geral é que essa cultura policiais antigos = vícios de conduta é totalmente sem cabimento. Não tenho a menor dúvida de que inúmeros vexames seriam evitados com a simples presença de policiais experientes, com prática verdadeira de combate ao crime, operando nos bastidores das unidades de inteligência de todo o país.
Hoje vivemos a PARANÓIA do grampo. Todo policial, de boa ou má índole, comprometido ou não com alguma forma de ilícito, tem a certeza de que suas mais simples conversas estão sendo monitoradas. Mas isso não deveria ocorrer apenas com autorização judicial? Com Inquéritos instaurados ou processos em andamento? Sim, pelo menos na teoria sim. Entretanto, diversos habitantes das salas de escuta, fazem , silenciosamente, o trabalho de implantar o medo de ser mal interpretado, de ter uma fala deturpada, ou de ser vítima de manobra de cunho pessoal mesmo.
Segundo os próprios grampeadores ( e eu já tive a oportunidade de ouvir isso de vários ), a coisa anda um tanto quanto descontrolada. Analistas mal preparados interpretam qualquer coisa da maneira que melhor lhes convém, por vezes, levando a instituição policial a vexames históricos, como prender agentes de futebol que encomendaram bolas, acreditando que aquelas bolas “na verdade” eram armamento ou munição. Ou prender policiais que em serviço, ligavam para um certo bar para pedir cerveja ( e isso é uma falha administrativa séria ), supondo que aquelas “cervejas” tratavam-se de carros roubados que passariam por determinada rota. Vexame grande, descobrir que eram cervejas mesmo…Vexame maior será o dinheiro que a administração pública perderá pelo constrangimento…Mas nada disso apaga da vida do homem, a desgraça que é ser preso ou acusado injustamente, devido a erros grosseiros de interpretação.
A inteligência hoje é a base para qualquer operação ou investigação policial bem-sucedida. Por isso, a ela deve ser dada a importância e real dimensão que tem. O recrutamento deve levar em consideração um número de aptidões muito maior que uma suposta “falta de vícios”. A vivência policial, que muitas vezes é confundida com esses falados “vícios” pode, em inúmeras situações, levar a Polícia ao sucesso numa operação. Devemos primar pela produção de provas e a inteligência policial deve ser orientada para isso. Os áudios, por si só, em um sem número de ocasiões, não sustentam uma acusação por muito tempo. Precisamos de uma inteligência séria, com credibilidade e livre de influências políticas e pessoais. Só assim, os percentuais de suspeitos que continuam presos após operações baseadas em atuações das unidades de inteligência policial, passarão dos irrisórios números atuais, para um patamar que tire da cabeça da população, a máxima que diz que: “a polícia prende e a justiça solta”.
Quem solta, na verdade, é falta de provas e a falta de consistência na investigação.

Sobre este texto

Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.

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