Funcionalismo Público: Vantagens e Verdades
Olho para mim mesmo, há quatorze anos neste Departamento de Polícia Federal. Hoje, os vencimentos dos servidores do meu órgão são os menores entre aqueles do mesmo nível funcional, entre as carreiras ditas de Estado. Já esteve melhor…Já esteve pior…
O fato é que, ser funcionário público faz com que o indivíduo tenha acesso a uma série de vantagens. Estabilidade, aposentadoria melhor, salários maiores que a média brasileira…Tudo isso pesa muito favoravelmente, no momento em que a opção pelo serviço público é feita.
Entretanto, muitas coisas que são boas, por um lado, agem de forma contrária, por outro. Imaginem um servidor que trabalha de forma séria, cumpre seus horários, procura agir de modo a tornar o atendimento do órgão público, um atendimento de excelência. Pensem que esse mesmo servidor, ciente da necessidade de adquirir cada vez mais conhecimento, de embasar seus atos com o saber legítimo, procura estudar, aprimorando-se cada vez mais na sua área de atuação.
Isso tudo é ótimo, não é mesmo? Pois saibam que servidor que age de forma diametralmente oposta, fugindo do trabalho, esgueirando-se, enrolando de forma inescrupulosa, terá, basicamente, as mesmas benesses que os melhores. A estabilidade, que é tão desejada pela maioria das pessoas que sonham com cargos públicos, acaba se tornando um escudo, atrás do qual, maus servidores se escondem durante toda a carreira.
Além disso, é possível vislumbrar de forma clara, a questão salarial. Alguém tem dúvida que um profissional medíocre seria incapaz de se sustentar por um curto período de tempo na iniciativa privada? Ou, uma vez que permanecesse trabalhando, o medíocre seria alçado aos melhores cargos e salários da instituição? Claro que não.
O princípio da excelência dos serviços, em um mundo onde a competitividade é a tônica, faz com que a necessidade das empresas privadas seja alcançar um nível cada vez maior, no que diz respeito a conceito e desempenho. Muito por conta da pouca vontade dos dirigentes de setores públicos em buscar níveis elevados de atendimento, pode haver alguma acomodação com resultados medíocres, obtidos por servidores pouco comprometidos com o espírito público.
O próprio monopólio de alguns nichos, pelo poder público, faz com que a falta de competitividade mantenha o desempenho em patamares medianos. Isso acaba por contribuir para que maus funcionários continuem a povoar todo o serviço público, utilizando-se de todas as prerrogativas que têm, para se esconder e, em linhas gerais, NÃO TRABALHAR…
Enquanto isso, vejo excelentes profissionais, engajados no serviço público, amargando a falta de reconhecimento, as dificuldades financeiras e a escassez de perspectivas. Observo a falta de uma política SÉRIA de gestão de recursos humanos dentro dos órgãos estatais, pois a existência de uma política assim, incentivaria e premiaria os profissionais de ponta e colocaria nos devidos lugares, aqueles que são verdadeiros vampiros dos recursos voltados para o funcionalismo…
Sobre este texto
Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.
15 comentários
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Infelizmente essa é ainda uma realidade no funcionalismo público, quero crer que essa tendência está, ainda que vagarosamente, mudando. Estou engajado a algum tempo no mundo dos concursos públicos e acho que podemos vislumbrar um outro nível de servidores públicos para médio e longo prazo, até por conta de uma melhor preparação face ao alto grau de concorrência e dificuldade dos certames, acredito que em breve, com a renovação teremos pessoas melhores e mais comprometidas no setor público
grande abraço
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Tem até um projeto do William Douglas, em prol da eficiência do serviço público:
http://www.revolucao.info/"Graças ao mau exemplo de parte dos funcionários públicos, existe hoje uma imagem distorcida
e que não representa todos os servidores.Chegou a hora de, juntos, hastearmos a bandeira da defesa daquilo que caracteriza a maior parte dos servidores concursados: competência, honestidade e capacidade de trabalho e de superação,
qualidades necessárias já para os concursos públicos.Você está convocado a se alistar para uma guerra silenciosa: a revolução que vamos fazer no serviço público do País.
Nosso convite é para mudar a imagem e a eficiência do funcionalismo público brasileiro.
Para participar, basta cumprir os Cinco Compromissos.A Revolução virá. Participe dela.
– William Douglas, Servidor Público." [sic]
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Não sabia desse projeto do Willian Douglas, mas acredito que aplicar "transferência" em servidores que fazem "corpo mole" seria uma boa. O Sandro poderia confirmar o que vou falar agora:
— Dizem que na ANP (Agência Nacional de Polícia) durante todo curso você é monitorado e "canetado" a cada vacilo, e cada canetada faz você ser lotado num lugar mais longe do que você gostaria que fosse ou até mesmo perder a opção de escolha. Com isso quantos não dão o melhor de si e andam na linha para conquistar "um bom lugar ao sol" ? Acredito que se fosse remanejado servidores que estão acomodados para outras cidades/estados. Muitos iriam fazer sua parte para evitar isso. Se não estou errado a lei 8112 prevê esta atividade. Onde a interesse da administração o servidor possa ser transferido, etc. -
Nao existe uma avaliacao periodica de desempenho? Acho que so nao funciona, porque – em muitos casos – quem julga poderia dar um tiro no proprio pe.
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Como um Agente da Polícia Federal faz corpo mole?
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Thiago, acredito que ele não se referiu somente com os próximos à ele. Mas por exemplo na PF, existe inquéritos, vai pro MP, pra lá e pra cá, investigação, etc… Se qualquer um desandar, detona a operação.
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jef-cmm,
a avaliação de desempenho existe existe, sim. Mas saiba que, quando um servidor não é avaliado com nota máxima pela chefia, uma tremenda confusão é instaurada. Mesmo os mais "caras-de-pau" não admitem conceitos baixos.Entram com recursos administrativos e até judiciais para reverter. Até porque, o conceito é bastante subjetivo mesmo, deixando margens à muitas contestações.
Por razões políticas e, acredito eu, para evitar grandes estresses, os chefes optam por avaliar os funcionários de forma equanime. Isso, na minha opinião, acaba por desvalorizar os melhores servidores, uma vez que o nivelamento ocorre com pessoas de baixo desempenho.thiago,
O Agente de Polícia Federal faz corpo mole, quando inventa mil desculpas para, simplesmente, não aparecer para trabalhar, quando um simples resfriado gera uma licença médica, quando chega tarde e sai cedo de forma recorrente, quando não comparece nos horários marcados para as operações, sempre com desculpas estapafúrdias, quando deixa que outros colegas assumam a carga de trabalho que era sua, sem o menor constrangimento, quando pensa de forma egoísta e individual, sem pensar no espírito de corpo, quando pegam a Ordem de Missão e não investigam, relatando coisas mentirosas depois, ou passando a OM para outro, alegando "falta de tempo". Poderia ficar ilustrando aqui até o século XXII.
Pessoas assim, infelizmente, abundam por aqui. -
Estamos chegando para mudar!!!
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Sou funcionaria publica do setor academico (Universidade). Vejo os tais acomodados, mas vejo muita gente jovem, honesta e com vontade de mudar. Acho que o importante e nao deixarmos o idealismo morrer dentro de cada um de nos. Mesmo que pequenas, mudancas pra melhor sao sempre possiveis, cabe a cada um fazer sua parte.
Abraços!
Flavia -
Ok entendi, mas o agente não pode sofrer algum tipo de punição ou represália por estes atos?
(Se Deus quiser entro pra Agente no próximo concurso)=]
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thiago,
Muita gente tenta punir esses maus servidores. Mas eles são tão ordinariamente "caras-de-pau", que usam todos os artifícios para escapar. O pior, é que a lei faculta a ampla defesa para qualquer caso. Mesmo sabendo que o funcionário é um mau caráter, assistimos o mesmo usar todas as armas que existem para se defender e, na maior parte das vezes, safar-se.
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Sandro,
Espero que mude, aliás acho que está mudando aos pouquinhos, vejo muito um enaltecimento crescente referente a PF, análoga ao ufanismo.
Abraços
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Pow Sandro,
isso e de entristecer, o bom ser equiparado com o ruim. Ai quebra-se a piramide motivacional que a administracao publica tanto busca, o reconhecimento pessoal. Ouco dizer por ai, que a solucao para parte do problema e a chegada de novos servidores com "boas intencoes". Mas, creio que devemos ter um cuidado ainda maior. E como uma doenca infcto-contagiosa. Lembro que, durante a graduacao, vivenciei um exemplo na pratica. Em um certo ano, entrou um servidor novo para o setor de almoxarifado. Tao rapidamente, este passou a funcionar de forma agil e eficiente, como nunca visto nos ultimos 10 anos. Dentro de alguns meses, voltaram as reclamacoes. Na minha ingenua curiosidade, em uma manha no restaurante universitario durante o cafe da manha, resolvi perguntar para o novato o porque da melhoria repentina e sua volta para a mesma situacao polemica de ineficiencia? Ele disse que foi orientacao de seu companheiro veterano, que o setor trabalhava daquela forma(com extrema lentidao) e que uma vez estavel, se ele trabalhasse daquele modo – ninguem poderia tira-lo. Entao so era esperar a aposentadoria. Sei que tudo depende do verdadeiro carater da pessoa. Porem, o sistema tb condiciona para seu modelo.
Relato de caso.
abraco…
sucesso a todos.. um dia os trouxas cairao.. -
Atualmente, o cargo público é o único que permite ao seu titular, ainda que, com vencimentos aviltados, organizar a vida familiar.
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