Fogo nos tralhas!!!
Não…não voltei a ativa…
Mas deixei o tempo passar um pouco, não para dar opinião de
especialista. Sou especialista de nada… Talvez eu seja bom na arte de
tumultuar vidas…Enfim…não quero ser mais real que o rei…
E o rei, no caso, é quem manda na Polícia…seja do RJ, seja
do Brasil…
Já sabemos todos que frequentaram este blog, que eu não
acredito que se combatem fuzis com flores e que quem pega em armas para atirar
em agentes públicos assume o risco de morrer.
Tudo bem claro.
Mas pensemos em algumas coisas que foram ditas, para
justificar o sangrento combate na favela do Jacarezinho.
A sociedade chancelou de imediato a operação, pois segundo as
primeiras informações ela foi iniciada com base em denuncia sobre aliciamento
de menores. Inclusive prostituição. Horroroso, não?
Vamos então fazer uma mega operação na zona sul do Rio, onde
a prostituição de menores e aliciamento de outros para diversos crimes acontece
dioturnamente. Não é aquele discurso usado e batido “se fosse na zona sul, blá
blá blá”. É uma constatação. Copacabana concentra uma multidão de cafetões,
mulheres e homens explorados e quase escravizados, além de ser um dos maiores
pólos de consumo de drogas ilícitas (e lícitas também) do país. Não sou eu que
digo. É estatística.
Pensemos se há qualquer possibilidade de dois garotos brancos
caminhando no calçadão de Copa serem abordados da mesma forma que dois negros
andando nas imediações de uma favela.
Pressupõe-se que os dois últimos são mais perigosos? Por que?
Porque nossa polícia atua segundo orientações de CEP e cor de
pele. Simples assim.
Desviemos a atenção para a atribuição principal da Polícia
que é fazer a lei ser cumprida. E aí eu concordo muito, que se houver informações
sobre armas de guerra nas mãos de bandidos, as forças de segurança têm mais que
a obrigação de ir lá e arrancar isso deles.
Ocorre que armas, drogas e munições não são fabricadas nas
favelas. E a polícia do RJ vem fazendo operações nessas áreas desde o final da
década de 1970. Incursões cada vez mais brutais, até porque os criminosos se
equipam com armas cada vez mais sofisticadas.
Ora, então está claro que a estratégia de fazer operações de
guerra nas comunidades não vem surtindo o menor efeito há mais de 40 anos. Ou
não? Não percebi diminuição das atividades criminosas…ou do movimento de
vendas de drogas…
Tudo bem, temos que tomar as armas dos caras… “Vamo
porra!!! Caralho!!!”
Mais uma vez, porque daqui a pouco vou mandar cadernos de
ligar pontos ou colorir… Favelas NÃO FABRICAM FUZIS E MUNIÇÕES!! E essas
armas continuam chegando. Obviamente é um excelente negócio vende-las com preço
muito acima do normal. Um sem fim de agentes públicos envolvidos…Outros
tantos políticos…que em comum ganham FORTUNAS com esse teatro.
Mas tudo bem…se a gente espera as armas, drogas e munições
chegarem na favela, depois a gente vai lá e estoura tudo. Afinal, é só uma
favela. E quando morre um garoto indo para o treino de futebol, outro brincando
com um caminhãozinho numa viela ou um terceiro DENTRO DE CASA jogando vídeo
game, é apenas dano colateral.
E tome de polícia entrando com cara de irado na comunidade.
Para que rir para aquelas pessoas? São só favelados…eles que respeitem a
polícia.
Para concluir, venho questionar a eficiência do modelo de
investigação da polícia brasileira. Porque as “otoridades” disseram que o
inquérito tinha dez meses. DEZ MESES! Dez meses fazendo o que? Para terminar
numa operação de guerra, poderiam ter concluído esse inquérito com menos de uma
semana.
Ah…mas levantaram endereços e paióis de armas,
munições…canhões lasers…blasters (desculpe se você que lê, não é fã de Star
Wars)… Teve comentarista de segurança pública, ex-policial de não sei o que,
dizendo que graças a Inteligência foi possível ir aos locais certos…bacana…parabéns
Inteligência Policial. Seu próximo passo agora é sair dos ralés e achar os
barões.
E ainda sobre inquéritos policiais…LIXOS!!! Servem apenas
para enganar a sociedade. Ou será que você, cidadão comum, ao sofrer ameaças,
violências ou qualquer outra coisa que precise de POLÍCIA INVESTIGATIVA, chega
à delegacia com alguma esperança de se sentir mais seguro?
Sinceramente…
Sou do tipo cuja memória muscular leva a mão a procurar a
pistola ao ouvir disparos aleatórios. Atirarei de volta SEMPRE. Mas isso não me
torna incapaz de observar o mundo.
Sobre este texto
Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.
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