EXTRA! EXTRA!
EXTRA! EXTRA!
Está servida a esquizofrenia coletiva do café-da-manhã. Homens e suas bombas continuam a aterrorizar, e eles mesmos advertem: “nada de novo no front”
Nossos dedos propagam palavras que de tanto repetir, nos travam.
Não a tela, o afeto.
A dormência invade os sistemas, o que nos apavora gera dinheiro e gira manivelas de poder.
E nascem novas bombas.
Tememos pela vida. Nossas, dos nossos. O coração palpita mas… ainda estamos vivos?
E nasce um novo aplicativo!
“Por que não o clichê da limonada?”
Tudo busca nos produtizar, nos alienar.
Somos uma pasta. Agora pode-se dizer sem medo de errar: somos todos um!
Consumimos todos a mesma coisa e dica: não é comida.
Viramos a própria vitrine. O big brother é o big brother é o big brother é o big brother, é.
Que me perdoe Gertrude.
Escutei ao vento:
“Quanto tempo você passou no shopping essa semana?”
“Eu? Nenhum!” – Diz se gabando a distinta mulher, enquanto tem seus dedos e olhos atentos à rolagem infinita de múltiplos patrocinadores.
Cuidado!
Também os amigos vendem suas vidas, chamam isso de influenciador digital e param de te responder conforme seus seguidores aumentem muito, além de venderem mais produtos a todo o tempo. Chamam de ‘publi’.
Mas para onde foram as pessoas? Aquelas outras?
“Prazer, como vai?” Não se diz mais.
“Prazer, pessoa física ou jurídica?” cabe mais.
Novo medo: que os shoppings que serão derrubados se tornem novas farmácias.
Enquanto isso: Ao menos 50 novas áreas naturais da cidade foram negociadas sem que pudessem ser negociadas.
A ocupação do solo avança, o extrativismo avança, os homens avançam.
O clima retrocede, bota banca, empaca feito mula! Quem já viu, sabe.
E nasce mais uma bomba. Pelo petróleo que já é morto.
Mas também nascem os primeiros plastic babies, que recebem microplásticos através da placenta da mãe, ingeridos acidentalmente ao longo da vida plasticizada.
Plástico, na formação biológica de um ser humano.
Isso nunca para, depois que começou, jamais parou.
De toda forma,
caminhamos no caos,
entretanto,
como caminhar no caos?
Desejo que sua respiração se mantenha estável, que você se mantenha firme, que as bombas explodam longe das crianças enquanto às mulheres e poucos outros, caberá como sempre, a faxina do pós-guerra, a reconstrução dos lares partidos e todas as outras coisas mais que existem em um mundo humano que de fato se possa tocar quando não, bom, quando não touch screen.
Speak no evil, o inferno são os outros, mas pense, se você faz parte, então o inferno também somos nós.
O que você anda consumindo? O que você anda encaminhando?
Ser vivo em um mundo automático é o nosso super poder! A não ser que a vida perca a prioridade,
por que para os dados, já perdemos mesmo antes da guerra começar.
Um universo inteiro organizando todos os seus piores medos, uma bolha que você imagina que exista, de fato. Em troca de compartilhar fragmentos soltos e rasos do cotidiano? Esmola pelo seu tesouro. Espelhos por riquezas, e mais uma vez entregamos nosso ouro.
Em mundo de algorítimo, só a matemática manda. Você é peça no tabuleiro de um jogo que jamais vencerá.
E nasce mais uma bomba. Essa é automática. Se programa sozinha. Tem GPS e sinal via satélite. Se auto corrige. Olha que bela tecnologia?
BUM
Por Railane Borges
Sobre este texto
Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.
3 comentários
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Será difícil não estar perto dessas bombas quando elas explodirem!!! Infelizmente!
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Típico Texto que quem trabalha com crítica, faz questão de não criticar, o “caos” instaurado de forma abrupta sem chance de consertar, consigo pinçar o que de mais destoa em nível otimista, porque tem o “segundo” de sensação exitosa. Amei alguns termos extremamente bem inseridos, como produtivar (sensacional), na minha humilde opinião esse texto merecia ir a fundo na questão psicológica e trazer no dedo ensanguentado a ferida exposta.
Não dá para mensurar em nível de bom ou ruim, e sim, assustar rsrs