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Escolha a Catástrofe

Por Pensamentos Imperfeitos Publicado em 27 de fevereiro de 2025 Atualizado em 18 de agosto de 2026 5 min de leitura

Há muitos e muitos anos, li um livro de um dos escritores que mais perambularam pela minha vida de adolescente: Isaac Asimov. O nome da obra é 

Escolha a Catástrofe 

O livro foi publicado há quase meio século e hoje, arrisco dizer que o escritor e bioquímico russo/americano tinha um “que” de profeta.

Não como um Nostradamus do século XX. Mas porque ele teve uma visão clara das mazelas que a evolução tecnológica sem precedentes traria para a humanidade.

Imagine você, que o avanço científico alcançado pelos humanos em pouco mais de um século, é milhares ou milhões de vezes mais expressivo do que tudo o que foi construído tecnologicamente durante os 19 (Sim, DEZENOVE) séculos anteriores.

Então irei eu agora fazer um exercício “Asimoviano”, de olhar para o futuro com base nas desgraças comportamentais do presente.

Talvez algumas pessoas que ainda costumam me ler, sintam-se incomodadas com o fato de ver neste texto, um “desenho” de ligar pontinhos, daqueles para crianças da pré-escola, quando menciono as consequências da crise climática, que tem como culpados exclusivos nós mesmos.

“Não, Sandro! Não ferra, cara! Tenho nada a ver com isso!”

Tudo bem. Analisando seu pedido de isenção de culpa, que implicitamente traz o desejo de culpar governantes, milionários industriais, empresários sem escrúpulos e grandes companhias poluidoras, afirmo sem grandes arrependimentos que existe alguma razão no seu argumento.

De fato, as grandes corporações foram e são responsáveis pela desgraça ambiental que vivemos, assim como os aparentemente inocentes produtores rurais de larga escala, que destroem nichos inteiros para que acomodem suas monoculturas de enormes dimensões.

Mas tudo isso só se faz existir por conta do consumo desenfreado da sociedade atual. Comprar, comprar, ter e ter… a quantidade de coisas inúteis que os seres humanos adquirem, bem como alimentos de baixíssima qualidade revestidos por caixas bonitas ou embalagens vistosas, dão o tom da amplitude de todos que produzem essas coisas.

E então vem um cara como eu, minha esposa, ou um cientista ou ambientalista qualquer, pedir  que medidas sejam tomadas para reverter o fluxo que nos leva para a destruição da capacidade de sustentação da Natureza … o que, fatalmente, nos empurrará para uma catástrofe climática sem medidas…

Lembro das minhas aulas de geografia no início da década de 1980. Eu tinha uma professora que eu adorava. Vera era o nome dela. E naquela época, ela já falava que a verticalização das cidades traria um enorme desequilíbrio térmico, com a diminuição das áreas de circulação de ar…

Eu lembro bem, porque minha memória é prodigiosa, mas isso foi em 1981. Então é impossível não lembrar de um clássico da literatura, de Gabriel Garcia Marquez, chamado “Crônica de Uma Morte Anunciada”. Todo mundo que deveria saber, já sabia e nada fez… pelo contrário. Foram omissos e incentivaram a degradação ambiental .

Agora caminhamos para o caos climático dentro de poucos anos. Porque não é possível que alguém ache que 50 ou 100 anos representem muito tempo para o nosso planeta. E está dentro desse intervalo a partir do instante em que você ler este texto, o momento que em que a vida no planeta será colocada em risco total, por conta de ações do homem contra a Natureza.

Em paralelo a essa corrida para destruir o planeta, esta a tendência à incapacidade total da raça humana. Nicolelis disse há pouco que a Inteligência Artificial é puro marketing, no que diz respeito a sua capacidade de dominar o homem no sentido “strictu”.

Não me sinto confortável empiricamente para discordar do Dr Nicolelis e vou me ater à maior questão prática que enxergo nisso tudo.

O ser humano, dominado pela preguiça que lhe é inerente, tem sido “escravizado” pelas IAs… lenientes como nunca, reduzem aos poucos suas capacidades criativas para perto de zero.

Não escrevem 

Não pensam… não se esforçam como há poucos anos… veem os espaços intelectuais que eram exclusivamente seus, serem tomados pelos Robôs treinados… que escrevem, editam, opinam, apontam direções… fazem o trabalho que mais exigia atenção e dedicação…

E assim as novas gerações ficam refens da tecnologia, absolutamente incapazes de se moverem sozinhas no mundo. Já escrevi por aqui sobre o caos emocional que a ausência de celular pode causar na mente de um habitante do planeta, que esteja num local que não conhece e precisa voltar para casa, buscando caminhos e conduções.

Quase 117% das demandas são resolvidas pelo aparelho que, em tese, deveria ter a telefonia como função primária… não… tem tempo que não é mais…

Em que pesem meus medos dos algoritmos de auto resolução usados em alguns robôs e máquinas de Inteligência Artificial, respeito o Dr Nicolelis em sua exposição… deixando clara minha opinião sobre a atual e vigente escravidão humana …

Coisas que deveriam ser legais e lúdicas como as redes sociais, tornaram-se vetores de parametrização e comparações absurdas, criando conceitos inatingíveis para a maioria absoluta das pessoas…

E ao perceberem isso, acabam engolidos pelo fantasma da depressao e baixa autoestima… as vidas param… a doença mental se instala e a escravidão aumenta…

Uma massa de pessoas segue receitas “infalíveis” para ter o corpo perfeito, o melhor imóvel, a maior quantidade de dinheiro, uma beleza estonteante… etc, etc, etc

Estão acorrentados… cativos… apenas não se dão conta… para a maioria, o futuro fora das telinhas será de uma mediocridade sem fim e os fará cada vez mais dependentes dos robôs e ainda mais arrastados para o modo de consumo avassalador que destrói a mundo paulatinamente…

Como James Cameron colocou pela primeira vez em 1985, em seu primeiro “Terminator”, é um ciclo vicioso… onde apenas uma pequeníssima minoria colhe louros e frutos…

A maior parte da humanidade caminha para destruir o caminho que esta diante dela… todos os dias…

Simplesmente, porque esqueceram o significado de ser

Homon Sapiens

Sobre este texto

Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.

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Sobre o autor

Pensamentos Imperfeitos

Escritor e cronista

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2 comentários

  1. Sensato e cirúrgico como sempre. Para termos ideia dos malefícios de um dos pontos citados no texto, no que tange as redes sociais, o TikTok criado na China é proibido por lá, Mark Zuckerberg não deixa suas filhas usarem as redes sociais que eles criaram. Fica a reflexão.

  2. Talvez o mundo venha a ser iluminado por uma nova era, uma extinção das massas. O potencial criativo será uma especialização necessária de ser desenvolvida e, ao mesmo tempo, simbiótica com o uso da I.A como a ferramenta mais eficiente já feita. Penso que o desenrolar irá pender paralelamente entre um desenvolvimento absurdo das capacidades intelectuais e o hedonismo desenfreado em um mundo que encara diretamente o abismo deixado pela ausência de um sistema de ideias competente (Como o papel cumprido pelo cristianismo na idade média). O professor Nicolelis traz à luz as limitações de forma interessante, mas, por outro lado, sabemos que a maioria das pessoas serão atropeladas e substituídas por aqueles que se adaptarem de forma eficiente ao uso de I.A, não haverá competição entre aqueles que desenvolvem seu intelecto aliado a melhor ferramente já criada. Basta observar qualquer emprego medíocre e a necessidade quase nula de pensar o seu processo, vide a maioria dos cargos no funcionalismo público. Enfim, a centralização de poder se tornará ainda mais evidente e, proporcionalmente, o valor da massa será reduzido.

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