Dores da Alma, Suicídio…Leila, Heath e muitos outros
Para alguns soará inacreditável. Para outros, sem cabimento…Mas, preciso escrever sobre a morte de Leila Lopes…Aliás, há muito tempo preciso falar sobre isso…Sobre essas grandes dores que a alma sente, que são tão insuportáveis, tão lancinantes, tão destruidoras, que a morte física é uma mera formalidade. Na verdade, sofrer assim, diariamente, é estar morto…morto para a vida, morto para tudo.
Tenho noção das críticas tecidas neste meio, que é a internet, pela atitude da mulher, que, para recuperar uma pequena parcela de sua áurea de estrela e considerável patrimônio, acabou expondo sua intimidade, seu corpo, seu espírito ( sim…o sexo é algo muito espiritual ). Tamanha era a falta de compatibilidade da moça com o meio, ainda marginalizado, da pornografia, que a crítica dita “especializada”, detonou sua “atuação”. Para os consumidores, os filmes protagonizados por Leila foram considerados muito ruins.
Evidente é, que para perambular pelo submundo (ainda submundo, por grande hipocrisia de uma parte considerável da sociedade ) da pornografia, é preciso ter uma espécie de “vocação”. Não é raro ouvir das estrelas do ramo, que gostam do que fazem e chegam até mesmo a sentir prazer diante das câmeras. Com certeza, não era o caso da atriz que um dia figurou no staff da Vênus Platinada.
Consigo imaginar a profundidade de sua tristeza, o alcance de sua própria percepção pelo equívoco cometido, em busca de algo efêmero. Não…não é qualquer pessoa que pode viver certos tipos de coisa neste mundo, também sem cabimento, onde a superficialidade é a tônica.
Um dos jornalistas que mais admiro, Arthur Dapieve, fez um belo trabalho sobre o suicídio. Mais precisamente, a forma com que a imprensa trata o suicídio de pessoas famosas, e até de ilustres desconhecidos. Segundo ele, e concordo plenamente, a primeira atitude de uma parcela considerável da imprensa e da sociedade, de forma geral, é tentar colocar em dúvida a sanidade mental do suicida. Será que diante de uma estatística que coloca o suicídio como a décima causa de mortes no mundo, teríamos um contingente tão absurdo de desequilibrados mentais?
Passeando neste momento em que escrevo por diversos blogs e sites, li de forma recorrente que falta Deus na vida do indivíduo que tira sua própria vida. Muitos julgam antecipadamente, que o indivíduo que pensa em tirar a própria vida é um ser “dramático” ou, simplesmente, está de “frescura” diante dos seus próprios problemas. Erro grande querer avaliar o que ocorre no interior de quem quer que seja…Os fatos da vida podem ser bobagens para muitos, mas também podem transpassar o coração de alguns, como setas incandescentes. Isso é difícil de entender…pelo menos para a grande maioria.
O homem é um universo singular. Logo, temos seis bilhões de universos, muito próprios, muito particulares caminhando sobre esta esfera. Como desejar que esses bilhões de corações sintam as coisas da mesma forma? O que para uns soa simples e facilmente esquecível, para outros arrastam grandes sentimentos de culpa e remorso, causando desejos desmedidos de buscar o isolamento, de se afastar do mundo, de ser esquecido por todos…
Lembro de alguém muito próximo, que vive seus já muitos anos de vida, imerso em sentimentos profundos de melancolia e insatisfação com sua própria existência, muito embora a noção do mundo sobre tal pessoa seja de alguém beirando a genialidade. Impossível esquecer a frase dessa pessoa, recorrente em seus piores momentos de tristeza…”Gostaria de dormir e acordar um dia antes de morrer…apenas para ter uma última visão daqueles que amarei para sempre…”
Uma das figuras mais marcantes na minha carreira nesta Polícia Federal tirou sua própria vida, cinco minutos após me encontrar e brincar comigo, como de hábito…Não poderíamos imaginar, simplesmente porque nos é impossível penetrar no universo da alma do homem. Se houvesse essa possibilidade, se eu enxergasse isso em seus olhos naquele momento, não teria deixado aquele irmão sozinho nos cinco, dez minutos, horas, dias seguintes…
Inesquecível para mim, a morte prematura de uma das maiores referências que tive na vida, fora da Polícia. Um oficial de Marinha aposentado, com quem tive a honra e o prazer de dividir o calçadão da Praia de Icaraí, nas centenas de corridas matinais que demos ali…até o dia em que soube que esse homem, exemplo de saúde, de conduta de vida, de bom-humor(?), havia dado dois tiros no próprio peito…Até hoje, apenas ele sabe que razões teve…pois aparentemente, não havia nenhuma…
Talvez por isso as mortes de Leila, de Heath, para mim, o eterno Coração de Cavaleiro…tenham me afetado tanto. Nada neste mundo compra a paz de espírito. Nada. Não há patrimônio capaz de fazê-lo. E todos que orbitam em torno daqueles que ostentam, jamais contribuirão para que a alma sare. Muito pelo contrário. Como vampiros, sugarão tudo o que for material, sem se importar com as dores silenciosas mais íntimas. Assim um ser humano cercado de gente, considerado uma celebridade, uma referência, pode se encontrar na mais profunda e absoluta solidão.
Não a condenem…Não o condenem…
Há muitos anos, muito antes de J.C. surgir, um velho sábio disse:
“A dor do corpo é insignificante, se comparada a dor que uma alma pode sentir”
Sobre este texto
Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.
5 comentários
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Neste mundo imperfeito, nossas emoções quase sempre são confusas. Nuvens escuras de medo e tristeza misturam-se, às vezes, com raios de sol da alegria. Costumamos usar frases feitas para nos preparar para as ondas de sofrimento que venham sobre nós: “Essas coisas têm mesmo que acontecer”; “sofrimento é parte da vida”; “há males que vem para o bem”. Tentamos nos enganar com pensamentos que absorvam os choques da vida. Mas não temos o poder de criar alegria ou encerrar o sofrimento por nossas próprias forças.
Reverendo George Whitefield, grande avivalista inglês, disse certa vez: “Tome conte de sua vida, e Deus tomará conta de sua morte”. A frase de Whitefield é uma grande verdade, pois é assim que todo o ser humano deveria agir ante a maior dádiva concedida por Deus: a vida. Porém, o que se tem visto por aí, são pessoas tomadas pelo desespero e decididas a tirarem a própria vida.
Além de preocupantes, dados mostram o quanto o ser humano está perdendo a vontade de viver. Os problemas e as pressões cotidianas parecem gigantes invencíveis diante de um ser humano fragilizado emocionalmente. Assim como acontece no Japão, Paquistão, França e Estados Unidos (países com maior índice de suicídios) milhares de pessoas em várias partes do mundo pensam, infelizmente, em fazer a mesma coisa.
A esperança e, principalmente, a fé em Deus, estão cedendo espaço cada vez maior para o desespero e a incredulidade. Quantos neste exato momento estão pensando em suicídio? Quantos estão achando que o suicídio é o “alívio” imediato para as noites mal dormidas e as dores de cabeça intermináveis?Uma coisa é certa, Deus sonda e conhece todos os pensamentos no Salmo. 139:23. um livro da Bíblia diz que Deus é a esperança da alma.
Para isto o salmista diz: “Ó minha alma, espera silenciosa somente em Deus, porque dele vem a minha esperança. Só ele é a minha rocha e a minha salvação; é a minha fortaleza; não serei abalado.” (Salmo. 62.5-6.)
A Bíblia revela que Deus realiza um trabalho contínuo para o dia futuro em que nossa tristeza se transformará em alegria. Assim, vivemos antecipando a chegada desse dia, com tristeza, mas com esperança e alegre confiança.
Existem momentos que são extremamente complexos na vida de qualquer pessoa; parece que não se vai suportar o fardo e as pressões que estão ao redor. A sensação que se tem é que as forças acabaram. Contudo, são nestes momentos de fraqueza humana que Deus entra em “cena”. Quando alguém diz que não tem mais jeito, Deus mostra que é o Deus do impossível!
E não é sem motivo que Deus disse: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo e leve.” (Mateus. 11.29-30.)
Ninguém pode julgar decisões errôneas, cada um sabe o fardo que leva, a dor quer sente, o suicídio apresenta-se como uma aparente solução, mas na verdade não passa de um caminho sem volta que impede o agir de Deus, pois enquanto há vida… há esperança, há possibilidade de mudança, há possibilidade do milagre de Deus acontecer, porém, quando uma pessoa decide tirá-la, encerra-se, assim, a possibilidade da ação poderosa das mãos de Deus. -
Sandro,
Parabéns pelo blog -
Sandro dá uma olhada neste link da BBC…fala sobre o uso do álcool e outras coisas que você aborda no seu projeto.
Abraço
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Fiz estágio no Ministério Público na Vara do Júri, e o que mais me impressionou nos 6 meses em que fiquei la foi a quantidade de suicidios.
Sem brincadeira, era uma média de 3 a 4 suidicios que vinham pra gente por semana, e praticamente todos por enforcamento.
Não consigo nem imaginar o que leva uma pessoa a tirar sua propria vida, só sei que é muito triste e acontece muito, muito mais do que imaginamos.
Parabéns pelo blog, sempre abordando temas importantes para o bem da sociedade.