Distante
O tempo avança sem grandes balbúrdias … apenas avança…
E eu me percebo cada vez mais incapaz de estar no meio do mundo… uma definição atualizada ou mesmo antiga de “bicho do mato”… arredio… por vezes rabugento e ranzinza…
Ouvi um dia desses alguém me dizer que me escondo, que não vou aos lugares por aí… porque não desejo encontrar certos tipos de pessoas … ou … pessoas específicas…
Escutei que devo deixar para lá e estar no mesmo meio de quem me deseja mal… ou já me desejou…
Ainda… que as pessoas mudam… que fazem mal aqui e mais adiante melhoram… percebem o quanto foram ruins…
Eu já vivi mais de meio século para afirmar que isso não é verdade… o contumaz praticante de maldades deseja o abraço da pessoa a quem fez mal, meio que para “autenticar” o “tudo bem! Eu deixei pra lá”
Via de regra, neste mundo onde o egoísmo é a tônica, os de caráter pequeno seguem propagando suas maledicências até que seus corações parem de bater
E praticamente nada temem… a não ser que a integridade de seus corpos físicos esteja ameaçada…
Alguns me questionam, por arguir que a maior parte das pessoas só conhece o medo quando a violência é uma possibilidade… mas não sou eu… é a natureza humana e , em especial, de alguns humanos…
Retirei-me do mundo sim… já faz alguns anos…
Coisa boa de ouvir, quando acabo encontrando pessoas quem me conhecem é:
“Nossa! Por onde você anda? Ninguém sabe de você!”
Ao escutar palavras assim, percebo que logro êxito em minhas intenções … estar longe de gente…
Pois existe uma incompatibilidade enorme entre as pessoas deste mundo, em sua grande maioria, e eu…
E não é de hoje
Não faz pouco tempo
Isso sempre foi desta forma… mas as convenções sociais me obrigaram por anos, a suportar presenças que considero absolutamente dispensáveis…
Era uma criança que amava estar sozinha… quando muito, com poucos e reais amigos
O adulto não mudou… conto nos dedos das mãos os amigos de verdade que a vida me deu… e esses sabem o quanto a solitude é minha companheira e isso não significa que não os amo…
Percebo que estou na contramão de tudo… fora da correnteza que leva tanta gente em bloco, atrelado uns nos hábitos e desgraças dos outros …
Olho ao redor e por vezes acabo rindo sozinho, ao ver tantos que vivem a vida fazendo cena… encenando seu cotidiano para telinhas reluzentes , como se suas jornadas fossem verdadeiros palcos
Eu conheço pouca gente de verdade…
E quero distância de quem faz cena… de quem esqueceu quem é… o que almejou… como se construiu…
Um “bicho do mato”
Simples assim… é o que sou
Sobre este texto
Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.
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