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Crack: O Inferno na Terra

Por Pensamentos Imperfeitos Publicado em 04 de novembro de 2009 Atualizado em 18 de agosto de 2026 4 min de leitura
Tempos difíceis esses que se aproximam. Leio sem parar, notícias sobre o mergulho sem volta de boa parte da classe média na tormenta que é o crack. Por conta disso, é impossível não fazer certas reflexões. A principal delas, é quanto à qualidade da informação que chega às mentes pensantes da sociedade. Será que há a clareza necessária, para que o mundo racional tenha uma vaga idéia do que é este inferno na Terra, chamado carck? E se a clareza for contundente o suficiente, o que leva cabeças teoricamente esclarecidas a uma imersão avassaladora no mundo da droga que quase destruiu inúmeras cidades dos Estados Unidos, na década de 90?
A falta de esperança, a ausência de ícones do bem, de exemplos vivos que ajudem a conduzir desde adolescência os caminhos dos indivíduos, podem ser apontados como fatores capazes de fazer com que um homem, dentro de uma razoável normalidade, entre no círculo vicioso do entorpecente. E quando menciono entorpecente, tento ser amplo. Desde a inocente cerveja com os amigos, até os ápices de estímulo causados pela cocaína. Entre eles, um sem fim de narcóticos, cada um atingindo universos mais específicos de motivação.
Contudo, nenhuma dessas drogas tem o poder de destruição física e mental do crack. Nem mesmo a tão falada cocaína, a qual nós nos acostumamos a associar a “viciados”, ou seja, dependentes. De forma até surpreendente para qualquer pessoa que aprofunda seus estudos no assunto entorpecente, é possível perceber que a maioria absoluta dos usuários de cocaína são eventuais. O incrível percentual de 88% de não dependentes químicos mostra o quanto esse assunto jamais foi tratado com a honestidade devida. Desses números, é possível extrair algumas conclusões importantes. A primeira é que não é o dependente, ou seja, aquele indivíduo doente, que merece a atenção da saúde pública, o grande financiador do tráfico de cocaína, uma vez que, do total de usuários, temos menos de um milhão de dependentes químicos efetivamente diagnosticados. Outra conclusão importante, é que, se o consumidor não é dependente e está no gozo completo de suas vontades, não sendo levado por disturbios de natureza patológica à procura da droga, sua responsabilidade na manutenção da máquina criminosa que tem como um de seus tentáculos o próprio tráfico é muito maior do que pregam por aí.
É evidente que muitos pais se cercam de cuidados e procuram dar aos filhos importantes informações sobre as drogas de natureza ilícita, que abundam por todos os cantos do mundo. Mas existe um fator capaz de desestruturar qualquer grade de informações conscientes, detidas pelas crianças e adolescentes, vítimas em potencial das drogas ilegais. Por mais que uma criança ou adolescente tenha plena consciência dos males causados pelos entorpecentes ilícitos, e entre eles, sorrateiramente, está o crack, uma vez tomado pelos efeitos de um narcótico legal como o álcool, pode, não só vir a experimentar as drogas ilgeais, como também ficar sujeito a situações que, estando sóbrio, jamais ficaria.
Na escalada usada de forma hipócrita por diversos meios de comunicação, onde a maconha aparece como porta de entrada para outras drogas, o dado mais importante, conhecido por TODOS que militam de forma séria na área de prevenção, é omitido. Antes de fumar maconha, o adolescente começa a usar bebidas alcoólicas, coisa que vem ocorrendo de forma cada vez mais descontrolada. Apoiado nas estatísticas e estudos desenvolvidos por organismos de seriedade incontestável como o NEPAD .a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, não é ousadia dizer que a grande porta de entrada, inclusive para o crack, por ser uma droga depressiva, que “baixa as barreiras” do que é razoável, é o álcool.
Paremos todos para raciocinar, de forma simples. É óbvio que a classe média sabe do perigo extremo do crack. Não há como contestar isso. Crianças e adolescentes têm acesso a informações de razoável qualidade, desde muito cedo, o que leva a crer que, diante de um risco como esse, em estados mentais normais, o ato de experimentar não ocorreria. Mas esses 40 % de usuários de crack, oriundos da classe média, vêm de hábitos equivocados e maneiras distorcidas de educação familiar, onde a permissividade é a tônica. Como controlar aqueles que ainda não experimentaram a pedra da morte, uma vez que o comum é andar em meios onde a embriaguez e falta de valores morais e éticos predominam? Difícil explicar a real natureza das drogas legais para crianças originárias de famílias repletas de vícios e, até mesmo, de dependentes químicos do entorpecente lícito. Aqueles que deveriam dar exemplos, realmente os dão, só que maior parte desses exemplos, de uma negatividade sem tamanho.

Sobre este texto

Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.

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10 comentários

  1. Conheço dois ex-usuários que utilizaram-se do Chá de Ayasca ( Santo Daime ), para se livrarem.
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    Um deles, excelente piloto agrícula, o outro, excelente designer.
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    Muita força a todos que desejam abandonar o vício, tenho certeza que conseguirão, sejam guerreiros, SEMPER FI

  2. perdoe-me, mas patético o comentario sobre o chá de AYAHUASCA, diga-se, outra droga. Mais propriamente um alucinógeno produzido pela mistura de plantas da regiao Amazonica. É evidente que essa droga ja começou a ser utilizada até mesmo fora desse tipo de ceita. Droga essa que pode causar surtos psicóticos e combinada a outras, morte subita. Mas, como diz, um tal de senhor ALBERTO CARDOSO religião é religiao, e nao será proibido o uso de chá nos rituais… Engraçado seria se nao fosse trágico. Quem fundar uma religião que em seu ritual se utilize a maconha ou a cocaina, terá a aprovaçao do senhor ALBERTO CARDOSO, afinal, "religião é religião" …

    Sandro, continue firme em seu propósito, aqui de campo grande (ms) nao paro de acompanha-lo e tambem admirá-lo…
    força guerreiro!

    Mauro Jr.

  3. Brilhante texto! Ideológica e texualmente falando. Está aqui um voto de respeito e admiração por um, acima de tudo, 'soldado do bem', chamado Sandro.

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    Olá Mauro, meu nome é Sálvio dos Passos Ramos, sinto que meu comentário o incomodou, neste quesito desculpe, acredito que o BLOG tem vários seguidores.
    .
    Por outro lado, me senti incomodado também, pelo verbete "patético"m acredito que você o utilizou, sem a intenção de ofender, mas ofendeu.
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    Na verdade, não sou usuário nem de AYAHUASCA, nem de CRACK, aliás nem beber cerveja eu bebo, então eu sei o que eu vi.
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    Eu vi que o DEPEN tem 180 mil vagas deficitárias, e como construir resídios, custa R$ 15.000.000,00 para 600 vagas, e sendo regime RDD há um custo adicional, e por isso custa R$ 20.000.000,00, creio que colocar o usuário de CRACK na cadeia, ele entrará usuário, e sairá assaltante de banco, 157.
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    Quando você adentra em uma "cela", você "bate o pé" em sinal de respeito, e dormirá no "boi", logo na entrada fazem uma pergunta, "depois daqui você faz o corre para nós?", se ele disser SIM, ele assina o "gibi", e o PCC se fortalece.
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    Se ele disser "não", ele fica vivo, mas se voltar a fumar depois da "bronca", e "cair" de novo, a cabeça dele rolará em meio a programas televisivos de "apreciação" do "povo sedento de sangue", coisas como Datena.
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    Anualmente são gastos R$ 1,4 bilhão com a escolta de criminosos em atendimento às imposições da Justiça. Em apenas um ano, a segurança de traficantes e bandidos superou em 14,5% o total de aplicações do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) realizadas nos últimos seis anos (R$ 1,2 bilhões) .
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    Se não houvessem escoltas, em 9 anos teríamos a verba suficiente para construir presidios, para desmantelar o PCC, e repor as 180 mil vagas deficitárias, salvando a vida de policiais mortos, nas escoltas das oitivas.
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    Prefiro um cara doidão sem um oitão, do que um cara doidão com o oitão, tem policial morrendo, neste sentido foi a postagem, fui técnico, e preciso, mas garanto que patético eu nunca fui.
    .
    QRV
    .
    .

  5. Salvio, realmente nao foi a minha intenção ofender, se assim o fiz, peço minhas desculpas, e realmente entendi o que você tentou mostrar, mas ainda assim penso que o fato do uso de qualquer substancia para "tapar" a falta de outra nao seria a melhor soluçao…
    não pretendo me alongar sobre o assunto pra nao ser novamente mal interpretado.
    Estamos aqui, penso, e em sentido amplo, com a mesma finalidade.

    Força!

  6. Olá pessoal!!
    como sou novo aqui nesse blog, vou deixar minha opinião sobre o 'Crack', droga essa que está terminando com famílias do nosso país, em grandes proporções, ou seja, ela atinge a pessoa mais velha como também o mais jovem..
    E aqui me pergunto, qual é o custo menos elevado para o estado e que será aproveitado?? Prender um traficante de pequeno porte? A instalação de clínicas para o tratamento desses dependentes?
    ou a " EDUCAÇÃO ", dar ao nosso povo uma educação de primeiríssima qualidade?? nesse caso tornando pessoas formadoras de opiniões.
    desde já agradeço!!
    abraço a todos e se puder de a opinião de vcs sobre as minhas indagações!

  7. Sem sombra de dúvidas, apenas educando de forma honesta, crianças, adolescentes e jovens de TODAS as origens, será possível obter resultados satisfatórios a médio e longo prazo, no que diz respeito ao envolvimento da sociedade com as drogas, sejam elas ilícitas ou não.

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