Eu tenho um amigo chamado Ary, que argumentou comigo sobre a presença de armas de guerra nas mãos dos bandidos cariocas e do resto do Brasil também. Segundo ele, essas armas não são fabricadas aqui e para chegarem aos arsenais do crime muitas falhas devem ocorrer.
Concordo com o Ary. O Rio de Janeiro não fabrica armas de guerra. E mesmo se fabricasse, não seriam acessíveis aos soldados do crime. As falhas na fiscalização são gritantes e é exatamente por isso que é possível se organizar criminosamente no Brasil, com relativa facilidade.
Muito se fala em planejamentos que sejam capazes de reduzir os índices de criminalidade no médio e no longo prazo. Eu mesmo sou defensor da implementação de políticas sociais sérias nos focos do problema, que são as áreas mais desfavorecidas da sociedade. Uma ação multidisciplinar, nas quais o triângulo família, educação e esportes seja o carro-chefe.
Entretanto, vivemos um estado de guerra. Pois armas de guerra configuram uma situação de beligerância extrema. E a maior parte desses criminosos entrincheirados em suas casamatas não se deixarão mais convencer por oportunidades de ascensão numa distante sociedade mais equilibrada.
O que fazer então? Alguém em sã consciência acredita que é possível fazer esses criminosos, acostumados com o fluxo do dinheiro das ações ilícitas, depor as armas e ingressar no disputado mercado de trabalho, sem qualificação de qualquer espécie? O que esperar da Polícia? Deveriam os policiais tentar um diálogo franco com os delinquentes, para que esses desistam da vida criminosa? Uma conversa ao “pé do ouvido”, talvez, para convencê-los de que não devem atirar nas pessoas.
Larguemos então a utopia, os sonhos pueris. Existem leis que precisam ser cumpridas. Uma sociedade que tem uma parcela que defende tanto o desarmamento do cidadão, deve ter em mente que se um indivíduo detém a posse ilegal de uma arma de guerra é obrigação da Polícia tomar essa arma dele. E isso, de forma óbvia, não será feito atirando flores aos bandidos. Jamais.
Até porque, um indivíduo que tem a capacidade de empunhar um armamento letal e dispará-lo contra os representantes da lei assume o risco de ser morto nessa guerra. É uma equação simples. E não existe “coitadismo” para esses “soldados” do terror. Foram sim, gerados por uma sociedade segregadora e pouco preocupada com valores éticos, mas a opção por entrar na guerra é exclusivamente do homem. Ninguém obriga ninguém a empunhar armas.
Não existe receita certa para situações de violência. Para cada caso, há uma gama de reações possíveis. Devemos aprender a escolher a melhor para cada situação. O investimento na área social deve ser maciço, bem planejado e sério. Os políticos precisam parar de querer colocar sua “assinatura” nos projetos de base social e pensar na sociedade como um todo. E em paralelo, é preciso fazer uma polícia moderna o suficiente, para combater as armas de guerra com a capacidade de causar o mínimo dano colateral para todos nós.
Deixe sua leitura