“Prender aqueles que julgamos nocivos. Se possível, esquecer deles na prisão. Mas, melhor ainda se pudermos exterminá-los.
Afinal, são culpados por todas as desgraças pelas quais passamos.”
Contundente, não? Quem pode duvidar que tais palavras retratam o pensamento de boa parte da sociedade brasileira? Poderíamos, então, atribuir sua autoria a qualquer um, entre aqueles que apostam suas fichas na limpeza seletiva entre os que parecem nocivos. Muitos dizem que uma parcela considerável do dinheiro desviado nos escândalos de corrupção deveria ser usada para construir mais presídios. Leio as colocações de indivíduos que comparam TODOS os custodiados do sistema carcerário a ratos. Será?
Diante de um sistema investigativo risível como o nosso, é realmente possível afirmar a culpa desse quase milhão de homens e mulheres? Os diversos difusores das palavras do início deste artigo são os mesmos que fazem pouco caso das possibilidades de ressocialização real de detentos, colocando TODOS na vala comum dos criminosos por natureza. Ou ainda defendem a construção de mais vagas para presos, para abrigar os novos contemplados, com a redução da maioridade penal.
A força daquelas frases também encontra eco nos corações dos que caminham pelo mundo a dizer que “bandido bom é bandido morto”. Os mesmos que são capazes de olhar uma criança e, apenas por sua origem, indumentária e modos, profetizar: “Está aí um projeto de marginal.” Meio “instintivamente”, evitam o convívio de seus filhos com esses seres ameaçadores. Afinal, “é melhor evitar problemas.” A segurança tem se tornado artigo de luxo e apenas uma minoria de privilegiados pode adquiri-la ao custo de somas cada vez maiores de dinheiro. Apesar de concordar que a violência anda descontrolada e também me identificar como vítima dela, preciso dizer que nenhum progresso será obtido no curto prazo. A atitude meramente reativa dos gestores de segurança do Brasil inteiro em nada contribuirá para o estabelecimento de um cenário onde a paz predomine. As medidas devem ser visando o médio e o longo prazo.
Para alterar o curso de uma sociedade acostumada a corromper, ser corrompida e segregar quase que por “esporte”, é preciso um trabalho conjunto de várias frentes. Não é policial. Não é educacional. Não é esportivo. Não é da família. É um trabalho que precisa de todas essas frentes e muitas outras juntas. A sociedade precisa trabalhar de verdade, com atitude e com o espírito elevado, para que o cenário mude. Quanto à frase que introduziu o artigo, é uma adaptação de um discurso de Adolf Hitler. Mas poderia ser Mussolini, Stalin, ou qualquer outro ditador da história da humanidade.
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