Contextos Urbanos: A Moral Irretocável dos Linchadores
Não hesita em passar por cima do colega para conseguir melhores posições no trabalho. Para sem grandes preocupações em vagas de idosos, deficientes ou mesmo impedindo o trânsito na ciclovia. Utiliza artifícios diversos para pagar menos imposto do que deve. Ou para receber mais do que lhe é devido.
Esconde-se atrás de falsa moral. Invariavelmente, tem vida dupla em qualquer um dos aspectos da sua existência. Propaga boatos. Mantém perfis secretos em redes sociais. Acredita intimamente que um mundo sem pobres seria melhor, não pelo fato dos pobres deixarem essa condição, mas pela possibilidade de não mais saber que eles estão por perto, deixando a paisagem mais feia. É parado em blitz da polícia, com documentos e outras coisas irregulares e é o primeiro a se insinuar para os policiais, sugerindo pagar um “café” para ser liberado. Acha um absurdo que políticos não cumpram a lei, mas faz vista grossa quando filhos menores bebem na sua frente. Na verdade, fica até orgulhoso. E se esses filhos têm mau comportamento na escola ou em qualquer outro ambiente, ao invés de repreendê-los, torna-se inimigo daqueles que ousaram criticar tal postura.
Pessoas com moral irretocável e conduta sem erros, que se julgam capazes de defender o linchamento até a morte de suspeitos de crimes em qualquer lugar do Brasil. Perguntam:
“Se fosse com alguém da sua família? Você não ia querer vingança?”
Talvez. Mas falará mais alto algo que faz com que eu seja diferente de 99% dos animais do planeta. Meu pensamento. Se sou capaz de raciocinar minimamente, a coerência dos meus próprios atos salta aos meus olhos.
Muitas vezes incentivei a população a reagir diante do caos. Não vejo com maus olhos o ímpeto de quem corre atrás de um trombadinha e é capaz de pegá-lo após um roubo. Eu mesmo já fiz isso algumas vezes. Mas minha participação como cidadão termina com a chegada da polícia e a entrega do criminoso às mãos do Estado.
Que carta branca é essa, que alguns pensam possuir, para fazer justiça com as próprias mãos? Então devemos nos tornar mais selvagens que os selvagens? Sim, eu acho extremos os crimes contra a vida. Mas tenho consciência da minha natureza humana, para conhecer erros cometidos na minha própria existência. Além disso, sem meias palavras, fica evidente o ódio seletivo e racista que abunda nesta terra. Um suspeito negro capturado pela multidão tem uma chance infinitamente maior de ser espancado até a morte. O brasileiro é assim. Acha que não é racista e fica possesso quando afirmam isso para ele. Talvez pelo incômodo da verdade.
Mesmo com o incômodo, os que se julgam perfeitos seguirão acreditando que combater a violência com violências maiores é a única solução. Esquecem que até o mais iletrado dos criminosos está cansado de conhecer a hipocrisia que se alastra entre nós.
Sobre este texto
Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.
3 comentários
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A verdadeira riqueza não é ter grandes posses, mas pequenas necessidades.
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Dizer não às pequenas corrupções, inclui:
– falsificar carteirinha de estudante
– Roubar tv a cabo
– Comprar produtos falsificados
– Furar fila
– Tentar subornar o guarda p evitar multas
– Colar na prova
– Bater o ponto pelo colega de trabalho
– Apresentar atestado médico falso
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07 DE JUL DE 2026 · 4 min de leitura
Leia maisSaudades da bebedeira???
Uma boa quantidade de perfis nas redes sociais vem mostrando um desagrado… uma certa tristeza com o fato das pessoas, não apenas das novas gerações, mas alguns “antigões” estarem deixando de frequentar a noite…
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O ser humano precisa aprender a dizer NÃOOOOO às pequenas corrupções.
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