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Cindy

Por Pensamentos Imperfeitos Publicado em 28 de maio de 2022 Atualizado em 18 de agosto de 2026 4 min de leitura

Estava dirigindo quando o rádio do carro começou a tocar Cindy Lauper

Girls Just Want To Have Fun 

Parece meio bobo escrever sobre isso… mas a canção me arremessou de volta a 1983, quando eu tinha 12 anos

Um garoto cheio de sonhos e aspirações… na época não existia o termo “nerd”… então, chamavam-me de CDF mesmo…

O que significa CDF? Cu de ferro, eu acho… alguém que estudava muito

Sinceramente, não era o meu caso… não estudava muito em casa e não quero ser soberbo ao dizer isso… de forma alguma… fui o melhor aluno da escola por anos e anos… e passar horas em casa estudando nunca foi uma realidade para mim…

Meu tempo eu gastava ouvindo muita rádio FM, lendo HQs da Marvel, livros e vendo programas de vídeo clipe na TV

Pouquinho tempo depois, comecei minha odisseia de assistir um filme no cinema por semana, pelo menos… mas aí foi quando eu fui morar em um bairro, no qual havia seis cinemas de rua

Muitos e muitos filmes sozinho… sem ser solitário… porque não me sentia muito impelido a querer a companhia de quem quer que fosse

E mesmo que eu quisesse, acho que aos 14 anos de idade eu não teria… não era o garoto popular, que a mulherada gostava … pelo contrário… tirar notas altas fazia de mim alguém silenciosamente odiado por uma massa que não queria absolutamente nada com os estudos

Tudo bem

Nunca julguei não… cada um com seu cada um (rapaz, como eu cito o Duende Verde… rsrs)

O fato é que esse mergulho em 1983, fez com que eu lembrasse de como fui carregado por uma correnteza de acontecimentos, que me afastou completamente do que eu queria para mim…

“E o que você queria, rapá?”

Acreditem… eu queria ser desenhista de HQ… fazia HQs com personagens meus… mostrava para todo mundo… e conforme o tempo ia passando, eu lia muitas HQs de super heróis que me ajudavam e melhorar o traço…

Em contrapartida, ouvia o mundo me dizer que isso não me levaria a lugar algum… 

“Legais seus desenhos. Mas aqui ninguém ganha dinheiro com isso!”

Lá no bairro dos cinemas de rua, havia decidido cursar Cinema na UFF… no que fui absolutamente rechaçado por ser um curso de “maconheiros” e “pederastas”…

Rapaz… muita gente veio me dizer isso…muita gente mesmo…

E aí veio a saída do Rio, indo para Maceió… onde eu subverti a expectativa de todo mundo sobre meu futuro profissional, indo fazer Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo 

E eu gostava muito daquele curso… era bem a minha cara… mas o mundo não quer saber disso e girou freneticamente de forma a fazer minha vida profissional ser sedimentada em duas bases…

O magistério e a polícia 

O garoto que ouvia Cindy Lauper em 1983 jamais imaginou nenhuma das duas coisas para seu futuro…

Mas a avassaladora correnteza do destino trouxe isso para a jornada…

Policial Federal? Jamais imaginei… jamais… e talvez por isso mesmo me tornei o Renegado que sou hoje para a maioria absoluta dos “super tiras” federais…

Hoje, depois de meio século de vida, tento retomar os sonhos… desenhista de HQ eu não vejo mais como ser… mas o trabalho com cinema, roteiros, direção etc ainda são ideais para mim…

Pensando nas razões que me levam a escrever este texto, lembrei de uma conversa rápida com uma nova amiga que fiz… companheira de um irmão que a vida me deu…

Sobre nossa capacidade de controlar o destino… acho que não é viável não… rsrs

Nosso controle está sobre quem somos e como caminhamos pela terra… mas se olharmos para as expectativas que criamos e o que realmente temos na jornada, veremos o quanto somos levados … as vezes por necessidade… outras por sentimentos fortes…

Enfim

Viva os anos 1980…

Beijos em todos…

Sobre este texto

Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.

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Sobre o autor

Pensamentos Imperfeitos

Escritor e cronista

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1 comentário

  1. Bela tinta gasta de forma bem compreensível e real, como é bom sabermos fazer a leitura de nós mesmos de um jeito educado para não dizer elegante, o que levamos nessa vida é exatamente “isso”, a vida que levamos, enquanto valer a pena escrever sobre, vale a pena continuar “como”…

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