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Ano Novo, Rituais e Incoerências

Por Pensamentos Imperfeitos Publicado em 29 de dezembro de 2008 Atualizado em 18 de agosto de 2026 4 min de leitura
Ontem estive na Igreja. Mais precisamente, a Igreja Betania, que fica em frente ao Campo de São Bento em Icaraí…Não leitor, não vou pregar nada, nem falar de religião. Aliás, religião é algo difícil de discutir. Convicções são muito particulares e o que um homem pode questionar é a coerência nas palavras de alguns que pregam uma pretensa “Palavra de Deus” por aí.
Já estive e freqüentei algumas igrejas…católicas e evangélicas. Ouvi muitas coisas boas de homens bons e sábios. Mas também ouvi muita coisa inacreditável, de pessoas que, simplesmente, deveriam voltar aos bancos escolares, ou pelo menos dar uma olhada de vez em quando em jornais e revistas atualizados.
No caso de ontem, o pastor Domingos, que eu pessoalmente não conheço, falou sobre coisas coerentes, com as quais sempre concordei durante toda a vida. A principal delas era a grande bobagem de se considerar o dia 31 de Dezembro o fim de um ciclo e o início de outro. Provavelmente, o pastor Domingos não teve grande bagagem científica, mas tem sobriedade suficiente para perceber o grande equívoco que são essas (infundadas) comemorações de final de ano.
Pior ainda são os incríveis e primitivos rituais postos em prática por milhares de pessoas à meia noite do dia 31 de Dezembro. Desde sempre fiquei chocado e achei muita graça em observar toda aquela gente pulando ondas nas praias. O branco das roupas, o amarelo das cuecas e calcinhas…as ceias, os porres, a embriaguez desmedida desses dias ( madrugadas, na verdade ). Tantas superstições, rituais, renovações de promessas e esperanças servem apenas para mostrar o quanto o ser humano é frágil e até mesmo ingênuo.
É difícil de acreditar que em pleno século 21, com tanto conhecimento acumulado ao longo dos tempos, um sem número de pessoas, até com elevado grau de instrução, insistam em enviar barcos com oferendas à Rainha do Mar…Sem questionar a divindade de Iemanjá, pois isso não me cabe…mas é, no mínimo, curioso, crer que os barquinhos deixarão flores ou seja lá o que mais é mandado, sob o trono da rainha do mar. No sábado, um fato me chamou a atenção em relação a isso. Vi na TV, um apresentador de um programa de grande audiência, formador de opinião, com elevado grau de instrução, conhecimento claro do mundo que o cerca, enviar um desses barquinhos para a lendária Iemanjá. Nada me espanta mesmo…Um judeu mandando flores para uma entidade de religião africana… Talvez, o quesito maior, o mais necessário para se sentir acolhido pelas divindades nas quais acredita, seja justamente o mais esquecido…A Fé…
A mesma pessoa que faz oferendas no dia 31, bebe até cair em uma das muitas festas de Reveillon espalhadas pelo Brasil e, por que não?, pelo mundo. Em segundos, a contrição se transforma em permissividade, diante de palcos dotados de equipamentos de som de altíssima potência, que perturbam a vida de quem ousa não querer participar de tais festas. E assim caminhamos, ano após ano, com esperanças renovadas com base em números cabalísticos, chancelados por numerólogos, astrólogos e outros ólogos, que insistem em traçar panoramas detalhados de como será o próximo ano…
De nada adiantam tais previsões…pois somos seres individuais que traçamos o nosso caminho com as atitudes que tomamos no cotidiano. De que adianta um bom ano financeiro para o Brasil para aqueles que lidam com seu próprio dinheiro de forma irresponsável? Isso foi apenas um exemplo…O mais importante disso tudo é a percepção de que escrevemos nossa história a cada segundo…a Fé é um elemento que deve estar presente o tempo inteiro em nossas vidas…Uma fé indestrutível em Deus…para que ele possa sempre iluminar nossos caminhos, mostrando a luz da sabedoria que precisamos para encontrar a paz neste mundo.

Sobre este texto

Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.

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