Álcool e Crianças
No último sábado, dia 20 de Junho, estive no “Arraiá do Salê”, festa junina do Colégio Salesiano, tradicional em Niterói. Apesar de ter me preparado para o que ia encontrar, não consegui deixar a ira de lado, ao perceber inúmeras crianças consumindo cervejas, sem a menor fiscalização por parte da organização do evento. Um crime…e eu, observando tudo, sem poder fazer absolutamente nada. O poder público ausente. Ou quase. Cheguei a ver um ou outro guarda municipal por ali. O locutor oficial do evento falava aos quatro ventos, que a venda de bebidas alcoólicas era proibido para menores. Patético discurso…
Na verdade, os responsáveis pela organização de um evento qualquer, que permite que menores consumam álcool, deveriam sofrer sanções contundentes. Hoje, as estatísticas da SENAD e da SENASP mostram que mais de 7% de todos os adolescentes do Brasil, com idade compreendida entre 12 e 17 anos, já são dependentes químicos do álcool. Nessa mesma faixa etária, 60% faz uso constante de bebidas alcoólicas. Isso significa que as crianças, que sequer deveriam ter acesso a esse entorpecente, de alto poder de destruição social, não só o fazem, mas também, cada vez mais cedo se tornam dependentes dele.
Tenho batido de forma contundente nessa tecla. Sei o quanto é impossível lutar contra a indústria do álcool, principalmente, contra as cervejarias. Impossível mesmo. Afinal, o que seria do nosso futebol, dos eventos musicais e do folclórico carnaval, sem o apoio das generosas cervejarias? E nesse círculo, nossas crianças crescem cada vez mais envolvidas pela enganosa propaganda do consumo social e alegre do álcool. A mentira do bebedor responsável. Pior ainda são os pais que dão o mau exemplo, que bebem até cair na frente dos filhos, que até incentivam. Já vi com os meus próprios olhos, pais molharem chupetas em copos de cerveja e oferecerem para seus bebês. Um crime hediondo, digno de prisão em flagrante, independente das questões arcaicas de pátrio poder.
E assim, permaneci durante algumas horas naquela festa junina, observando crianças bêbadas no banheiro, diante do olhar complacente dos pais. Algo que, desde os primeiros instantes, acabou com o meu prazer de estar ali com os meus filhos. O que esperar do futuro, diante de uma realidade como essa?
Sobre este texto
Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.
2 comentários
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Realmente a situação ta ruim, hoje em dia varios adolescentes bebem achando que com isso se torna uma pessoa mais querida pelos q se dizem 'amigos'. Infelizmente é a realidade…
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Também fico indignado… Semana passada depois da minha aula (sou prof em academia) meus alunos/alunas queriam bater papo e fomos para a casa de um deles. Não é que eu fui o único que não consumiu álcool? Tenho 31 anos e eles tinham de 16 a 24… Todos e todas bebendo de cerveja a caipirinha… Realmente não entendo. Tive todos os exemplos para beber também (meu pai, alcóolatra, morreu por causa da bebida com 51 anos). Meus irmãos e irmãs bebem e eu também não entendo… Tem tanta coisa saborosa pra beber… Não entendo mesmo.
Pior ainda acho o cigarro. Pior no sentido de "como começar a fumar". Alguém que nunca fumou e "experimenta", acha desagradável. Aí essa pessoa depois vai fumar de novo, e acha desagradável ainda. Ela repete esse ato diversas vezes até se viciar… Acho muito doido! E tem gente que reclama que não consegue ler, fazer exercícios, estudar, mas conseguiu se viciar no cigarro! Se tivesse se dedicado a essas coisas com o afinco que enfrentou o gosto ruim do cigarro até se viciar, ia ter uma vida muito melhor.
Muito difícil lutar contra essa indústria mesmo…
714.