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A Revolução dos 20 Centavos

Por Pensamentos Imperfeitos Publicado em 23 de junho de 2013 Atualizado em 18 de agosto de 2026 4 min de leitura
Eu esperei para escrever sobre HOJE.
Esperei para ver. Quase paguei para ver até onde iria, na verdade, até onde vai o ímpeto da massa de jovens que ganhou as ruas do Brasil e até mesmo de algumas cidades do mundo, com almas verde-amarelas.
Como em um experimento científico, observei a materialização de muitas teorias sobre os jovens de 10 a 110 anos. Desilusão, falta de esperanças, ódio contido, rancor…sentimentos que, sem sombra de dúvidas, fariam Anakin Skywalker/Darth Vader ficar receoso. 
Há alguns anos li um livro chamado “Crônica de uma Morte Anunciada”, de Gabriel Garcia Marquez. Alguém tinha dúvidas de que os sentimentos de desesperança são a tônica nos corações brasileiros? A máxima criada em escritórios de publicidade e propaganda de que “Sou Brasileiro e não desisto nunca” chega a ser surreal. 
Faz tempo que nós já desistimos de acreditar naqueles que nos conduzem. Naqueles que legislam ( quase sempre em causa própria ). Naqueles que fazem (ou deveriam fazer ) a lei ser cumprida. Nós desistimos deles há muito tempo. Mas acreditávamos que, no “cada um por si”, “cada um fazendo o seu”, seria possível caminhar por este tortuoso caminho, margeado por bandidos e salteadores.
A realidade crua acabou mostrando que isso não era possível. Não será jamais. O individualismo é um artifício pouco eficiente em um lugar como este de madeira avermelhada, usada para fazer tinta. Somos saqueados desde a chegada na Baía Cabrália. E não seria diferente… a não ser se ALGO DIFERENTE acontecesse.
Quis o destino que 20 centavos fossem o estopim da Revolução por conta de anos e anos onde TRILHÕES foram subtraídos do povo. “Mas não é por 20 centavos que estamos nas ruas!!” Sim…isso foi apenas o detonador, a espoleta para que um belo movimento iniciasse seu curso. A materialização dos sentimentos. Transformando o subjetivo em matéria.
Estão aí os jovens………….justificando diante das câmeras, porque andam de forma insana há anos. Porque mutilam seus corpos e seus espíritos das mais diversas formas. Porque hostilizam-se o tempo inteiro. Brigam uns com os outros. Amam a superficialidade. Estão aí, diante de todos, as justificativas para tantos questionamentos sociais. Os “maconheiros” caminham ao lado dos “caretas”. Todos com o único propósito de dar um BASTA.
E não me venham falar em vândalos. Eu também não gosto dessas atitudes. Mas em um mundo onde a inteligência e a contra-inteligência travam combates silenciosos nos bastidores da notícia, é nosso dever colocar sempre uma interrogação em tudo o que chega em termos de mídia. Os vândalos EXISTEM. Mas seria impossível que não existissem em um universo tão amplo como este, que domina as ruas como uma torrente. Eles sempre existiram. Sempre existirão em movimentos organizados, ou não.
São pessoas que não conseguem se expressar com palavras, nem se contentam com seu próprio silêncio. Precisam se fazer notar. Dizer: “Eu fiz!”. São uns pobres de espírito. 
Assim como os policiais que adotam o ódio como  premissa. Para alguns desses oficiais, o simples fato do indivíduo estar nas ruas, já pode ser considerado seu inimigo. Pensamento fruto de uma formação propositalmente carente de noções fortes de cidadania e SOCIEDADE.
Por sorte, a GRANDE MASSA DOS POLICIAIS apoia os atos. Somos frutos de anos de descaso com a sociedade. Sim…a polícia é o maior exemplo de como os GOVERNOS ODEIAM O POVO. E esses mesmo governantes, odeiam os policiais também.
Sinto o misto de orgulho e apreensão.
Orgulho dos jovens de todas as idades que ganharam as ruas.
Apreensão, por conta de quadros mal intencionados, rancorosos, revanchistas, com sede de poder, que ocupam postos importantes nos três poderes.
Cabe apenas manter o foco. Respirar. Seguir adiante.
Vida que segue.
VIDA NOVA!!!
Para todos nós

Sobre este texto

Conteúdo autoral e opinativo, escrito a partir de experiências e leituras pessoais do autor. Reprodução permitida desde que citada a fonte e mantida a integridade do texto.

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Sobre o autor

Pensamentos Imperfeitos

Escritor e cronista

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8 comentários

  1. espero, sinceramente, que ocorra mesmo uma mudança interior. afinal, cada um que saiu às ruas, que compartilhou bandeiras e cartazes nas redes sociais, tem o dever de pautar sua vida de modo apartado ao jeitinho brasileiro e à lei de gérson, vivendo honestamente, não lesando ninguém e dando a cada um o que é seu!! torço pra que esse sentimento dure, ao menos, até o primeiro domingo de outubro do ano que vem!! é como penso! abraços, meu amigo!

  2. Grande Sandro,
    No texto disse quase tudo!!!
    O Brasil precisa mudar sim, mas a mudança deve ser em todos os que vivem nesse "nosso" país e não só naqueles que nos conduzem.
    O "Brasileiro" precisa parar de pensar apenas no próprio umbigo. Aprender a votar e acabar com a "maneira de ser malandro". Nesse momento muitos estão falando "O que essa louco quer dizer?".
    Vejo muitos indo a rua, mas por pura diversão de estar lá com roupas de marca e telefones de última geração, mas na volta para casa compram o DVD com o filme pirata, pulam a catraca para não pagar, arrumam maneiras de furar fila, fazem carteirinhas de estudante para ter descontos, e finalmente sentam no sofá para ver Tv a Cabo do vizinho com o famoso "gato". Estes são apenas alguns exemplos.
    Por isso que devemos acordar, para depois querer mudar o país.
    Quem sabe ainda conseguirmos hospitais decentes, boas escolas públicas, uma polícia respeitada e honesta 100%, ruas limpas, parques e finalmente empregos que valorizam.
    Agora de volta aos estudos, pois o concurso está próximo.
    Parabéns pelo blog, os livros e os projetos que ajudam muitos!!!

  3. Apesar de ser contra a violência, me pergunto se as passeatas fossem absolutamente pacíficas, haveria a mobilização que está havendo de políticos.
    Vamos ver se a PEC 37 NÃO vai passar. É isso que o povo quer.

    Queria uma opinião sua…
    "E se não houvesse violência?"

    K

  4. Na real, violência tem em todo evento. A mídia mostra essas notícias para distorcer a realidade e a grandeza das manifestações. Imagina se todo esse povo das ruas fosse realmente usar o vandalismo! Seria uma destruição total…

    Essas informações de vandalismo são ínfimas perto da mobilização que ocorre. Prova que somos pessoas do bem, o movimento é pacífico. Tomara que o movimento cresça com organização cada vez mais.

    Belo texto Sandro

    abç

    1. Caro Paulo. Como cidadão e ex PM, sou contra a violência. Participei de uma manifestação na minha cidade, sempre de maneira pacífica, embora uma parte MUITO PEQUENA tenha descambado para os atos de vandalismo. Entretanto, não precisa de muita gente dedicada ao crime para que o caos se estabeleça. Se fossem TODOS, seria uma guerra civil 😀

      A reflexão que proponho é: se não houvesse violência, haveria a mobilização dos parlamentares?

      Abraço!

      K

  5. na minha opinião, democraticamente, oq chama a atenção dos políticos e provoca efetiva mudança é a capacidade de movimentação e articulação do povo em torno de uma ideia concreta, principalmente por ocasião das eleições. pra mim, a resposta política do momento é meramente diversionista, não tem nada a ver com o respeito à vontade popular.

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